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sábado, dezembro 03, 2011

Causas e Efeitos

Pirineus de Sousa
Do livro “Quando a Depressão Ataca”

Você deixou de gostar de coisas ínfimas ou grandiosas que antes vivenciava com tanto prazer. Sua auto-estima está abalada.
Intimamente, você se sente dependente, carente, incapaz... Está com algo atravessado na garganta, como se fosse um nó e não dá conta de engoli-lo. É como tentar desvencilhar-se de um emaranhado de teias. Você está em um barco para o qual não foi convidado, não aceitou, mas está  dentro dele. E o pior, sabe que está afundando e você não sabe o que fazer, mesmo sabendo nadar. O mar é alto, negro como petróleo e o barco faz água.
Você já deu o devido tempo para reencontrar-se e ele não chegou. Parece que nunca chegará e tudo que o cerca não lhe interessa. O isolamento é preferido ao convívio com as outras pessoas. Compara que por motivos idênticos, outras sofreram, choraram, mas voltaram às suas vidas normalmente, enquanto você se perdeu em meio ao caminho de volta. Como explicar para alguém que você está inexplicavelmente triste? Que chora, sem quê nem porquê. No seu ponto de vista essa pessoa está minimizando o seu sofrimento. Mas, não a culpe se a sua aparência não traduz a sua angústia interior. Só você mudou e talvez seja essa pessoa, antes mesmo de você a alertar para o fato.
Um, ou o somatório de alguns acontecimentos a seguir, podem ter ocorrido ou estão acontecendo em sua vida:
- Está dormindo de menos, ou demais se comparado ao seu turno normal de sono. De menos pelas preocupações que lhe afligem, ou demais para fugir das mesmas;
- Seu humor está instável, nem sempre equilibrado, tendendo para o mal humor, tudo o irrita por mais insignificante que seja o fato;
- Seu peso aumentou por alimentar-se por compulsão;
- Seu peso diminuiu, você se sente fraco, não tem apetite e as doenças facilmente o atacam;
- Seus reflexos estão lentos ou descontrolados;
- Seu desempenho no trabalho está abaixo do normal e você não se concentra nele;
- Morreu um ente querido;
- No romance foi traído;
- Perdeu o emprego;
- Dores não são confirmadas nos diagnósticos médicos;
- Um acidente o incapacitou;
- A solução dos problemas fica sempre para depois;
- Desfez um relacionamento amoroso;
- Seu amor não é correspondido;
- Enfim, o que dá prazer parou de lhe interessar, a isso chamam de "ante-hedonismo". Os acontecimentos que deveriam ser motivos de felicidade, como a aquisição de uma nova casa, uma promoção no emprego, a chegada de um recém-nascido, também, podem ocasionar a depressão. Ela vem, pôr impossível que pareça, em momentos que deveriam ser de celebração e não de tristeza e a ciência ainda não descobriu a causa. Sabe-se que quando há um desequilíbrio nos neurotransmissores do cérebro a transmissão das informações, sofre uma pane, quando então ocorre a desestabilização e os seus sintomas se afloram. É uma doença clínica esse desequilíbrio químico dos neurotransmissores que regem o humor. É mais um mal-estar físico, uma doença corriqueira, mas séria. Ela não tem sintomas físicos evidentes, não escolhe idade, ou sexo, podendo acometer 5% da população e entre 10% a 20% hão de passar por ela em algum período da vida.
Relevemos os quadros corriqueiros de tristeza passageira e lembremos que a depressão pode acontecer a qualquer um. A profunda dura normalmente de 6 meses a 2 anos, ou mais, mas hoje em dia, com a ajuda adequada, pode começar a ser curada ao fim de algumas semanas. Tudo é relativo e depende do quadro.
Se o "cachorro preto" o pegou, você prefere morrer, dormir e não acordar mais. Acha que se morresse, seria indiferente e não faria falta a ninguém. É hora de procurar ajuda, procurar a saída. Continuar ou aprofundar-se cada vez mais para o fundo do poço e acomodar-se, é a morte em vida e as forças poderão lhe faltar nessa guerra que com certeza será cheia de batalhas.
Entre os depressivos, está provado, o sistema imunológico fica debilitado, oferecendo oportunidades para o surgimento de doenças fatais. O corpo oferece-se assim, como que de graça para o aparecimento de doenças oportunistas, leves ou graves.
No tumulto em que está o seu epicentro mental podem surgir problemas físicos reais. A sua volta já devem ter acontecido muitos casos assim. Recorda-se daquele amigo que após anos de dedicação a um trabalho o perdeu sem maiores explicações?
Lembra-se da tristeza que o acometeu? E os problemas que advieram? E de que ele morreu? Sei de um caso real de câncer, mas pode ser um aneurisma... O compêndio da medicina é por demais extenso para descrevê-los. Procure manter a sua mente sob controle e não se dê ao luxo da situação chegar a esse ponto.
Alertamos que você pode estar apenas passageiramente triste e que poderá achar as situações descritas exageradas, mas se está realmente deprimido, verá que esse estado de espírito nos leva a extremos e nosso objetivo é ser abrangente, para mostrar as diversas facetas com as quais a doença se apresenta. Podem ser estados leves, passageiros, os mais profundos, os agudos e crônicos. Da forma que ela vier, a meta é nos safar. O que pode aparecer absurdo para uns, para outros caem sob medida e a quem não estiver acometido por ela parecerá estarmos descrevendo "O inferno" de Dante.
Declaradamente, não pensamos fazer destes escritos um livro de cabeceira. Nossa proposta é fazer com que pessoas afundadas nessa areia movediça se reencontrem a partir da autoanálise, e encontrem as causas que a levaram a isso, com a conseqüente busca de cura. Cheguei á conclusão que nem toda atenção do mundo, nem os recursos avançados da medicina serão suficientes para que você faça as pazes com a vida sem a sua colaboração. Se nela o eixo principal é você, por mais altruísmo e incentivos externos que receber, sem ela a nada se chegará.
Ao ler a palavra AUTO, atente que não estarei me referindo ao automóvel, a uma máquina e sim ao ser humano que é VOCÊ PRÓPRIO, é o seu EU.

sábado, setembro 24, 2011

Para Início de Conversa

Pirineus de Sousa
“Quando a Depressão Ataca.”

Primavera, há 13 anos. Lá fora o mundo estava lindo, mas dentro de mim só havia tristeza, indefinível, lá dentro, sem quê, nem por quê.
Daquela primeira internação um fato ficou gravado em minha mente. O médico da janela do meu quarto apontou-me diversos pacientes que perambulavam pelo jardim, descrevendo-me o porquê de muitas delas estarem ali. Eram pessoas que se sobressaíram em alguma atividade profissional e, no entanto o destino foi o mesmo: inativas dentro de uma clínica, enquanto lá fora a vida continuava para quem estava vencendo a luta com sucesso, ou mesmo sem ele.
Assim, declaradamente, foi à primeira visita que ELA me fez.  Durante muito tempo, ELA ficou indo e voltando. Tirava férias, mas ELA adorava esta casa, sempre voltava...
ELA é ELA porque fica mais familiar. Afinal de contas, não somos tão íntimos?
Então nada de formalidades. ELA, em sã consciência, nunca poderia ter sido a eleita, a amada, a querida, a companheira para este ser, ainda humano.
ELA contagia tudo ao redor do lugar escolhido para sua morada. As plantas, os animais, os móveis, minhas roupas, as pessoas. Mas pior, ELA me ama de verdade, só a mim, o eleito, o privilegiado.
Quantas vezes já me perguntei, por que logo eu? Há tanta gente neste mundo! Mas não questiono, foi tudo uma questão de opção dela.
Colocando sob este ponto de vista, me dou ao comodismo de atribuir culpas só a ELA, esquecendo ou omitindo a minha participação no nosso caso. Pratico um auto-hedonismo.
Dizendo assim, estarei amenizando, atenuando, o que na verdade é uma doença séria.
Quando estou com ELA, tenho por norma culpar a tudo e a todos por aquilo que me acontece. Concordo, não sou um problema, sou vítima. E nesse tempo, não tenho condições de ser eu mesmo. Falta-me tudo. Os meios que habitualmente utilizava para sobreviver estão se aniquilando. Não fazem mais efeito, quando os aplico como antes, nos mínimos detalhes, os resultados não aparecem.
Estou fragilizado, a sós, eu e ELA, o resto não importa.
ELA veio para arrasar, tornando-me um verme. Na matemática da vida, sou zero à esquerda. Não conto, não somo, sou ignorado. Faço de conta que vivo, pois na verdade vegeto. Penso que se desligassem os aparelhos, não faria falta, ninguém notaria.
Por pouco não estou vivendo da caridade alheia: ELA é um trambolho caro e tenta porque tenta acabar com nossos meios de subsistência, apesar de não ser vaidosa, mas também não exige. ELA não me leva ao cabeleireiro, às lojas para que eu tenha uma aparência melhor. ELA me quer dependente, mal vestido, mal cuidado e, ciumenta como é, me quer enclausurado seja da forma que for, de preferência, confinado. Mudo, sem ter com quem conversar. Apenas posso compartilhar com ELA este amor sem fronteiras, que gira em círculos. ELA delineou uma mandala em torno de mim, para coexistirmos somente nós dois na tristeza desse amor fatal.
Meus amigos, meus parentes, a pessoa amada, o sexo prazeroso, meu trabalho, ELA os afastou, porque não dizer que os afugentou? Impôs suas regras, ELA me quer submisso e eu que a odeio e a amo ao mesmo tempo, faço o seu jogo. Afinal, só ELA entende minha autopiedade. O seu ombro companheiro está sempre à minha espera. ELA é o máximo. Compreensiva, têm chicotes, coleiras, arreios, cabrestos, toda uma parafernália de objetos prontos para satisfazer meus instintos sado masoquistas. Provoca-me sangramentos no corpo e na alma, é uma parceira perfeita.
Eu sempre me pergunto; que mal fiz para merecê-la? Sei que não somente eu faço esta pergunta, mas toda a minha família, todo um círculo de pessoas. Mesmo assim, eu tenho a resposta? Não, não tenho, porque se tivesse, ou lucidez para tal, não teria me juntado a ELA, e se tivesse oportunidade há muito a teria abandonado.
Continuamos eu e ELA. Até quando? Eu diria sei lá!
Quero é que eu e ELA nos explodamos e sumamos para onde nem os pensamentos alcancem. Afinal nós dois somos problemas e deles todos querem distância, portanto, fora com nós dois.
ELA tenta me levar para diversos caminhos, optei pelo álcool e remédios que só consigo nas farmácias com receita azul. "Uma mistura perfeita". Pelo gosto dela eu deveria, também, enveredar pelos tóxicos. ELA é chegada a estes canais de fuga e nada melhor para momentaneamente fugir da realidade, onde ninguém me entende.
Não temos uma linha a ser seguida, ela é mutante e eu dependo dos seus caprichos, então nada é definitivo.
Muitos já me disseram que ELA me traiu Mas os outros foram fortes, a repeliram, fizeram isto e aquilo, mas não permitiram que ELA se apossasse deles. Isto faz subentender que sou um fraco e deixei que ELA me dominasse, o que me deixa triste, na minha fraqueza, na minha penúria. Logo eu que tinha tantos planos. Eu que era equilibrado, agora estou só.
Penso que até Deus me abandonou. Tudo é caótico. Tenho a impressão de que fui alvo de uma bomba atômica e estou só em meio a esse cogumelo mortífero, sujeito a toda sorte de desgraças. Não enxergo um centímetro à minha volta, fico surdo, mudo, incomunicável, só eu e ELA. ELA faz com que tudo o que me diz respeito, dê errado.
ELA tem serviçais devotos até a morte, que incutem em meus mais recônditos esconderijos do cérebro, fobias, pânicos de toda ordem. É horrível. Por vezes quero descer aos infernos a ter que enfrentar aglomerações de pessoas, sejam quais forem, filas, shoppings... Não suporto ver TV, ouvir rádio onde os mortais comuns cantam as suas dores de cotovelo ou suas alegrias de viver. Se eu a tenho, o que me importa o resto do mundo, se só ELA me basta?
Eu que era normalmente participativo, procurava sempre novos conhecimentos, tinha perspectivas inúmeras para a vida, hoje não quero saber de nada.
Têm acontecido tantas coisas, que me considero um vaso que caiu, despedaçou-se em estilhaços pontiagudos, prontos para ferir seja lá o que for. Não tenho mais valor, não sou mais inteiro. Passei a ser figurante, coadjuvante na vida, não brilho mais, só provoco reações negativas.
Eu e ELA não temos necessidade de sermos vulgares, sermos comuns como os demais que vão e voltam, saem a passeio, a trabalho, o cotidiano básico. Para nós um carro é um embuste. Penso, se eu dirigir vou ter sudorese por todo o corpo, a ponto de ensopar toda roupa e isso ocorre porque ELA presenteou-me com o pânico. Se insistir em pegar no volante, lembro-me dos efeitos colaterais. Meus reflexos podem estar muito lentos, posso estar irritado. Enfim um carro em minhas mãos pode se tornar uma arma.
Aos problemas que aparecem, não tenho soluções, vou somando um a um. No final não tenho problemas pequenos, isolados, tenho um só, enorme. Sinto-me um Atlas carregando o mundo nas costas. É um fardo muito pesado, está além das minhas forças e me esmaga.
Situei-me, não gosto de ninguém e ninguém gosta de nós.
Estamos de mal com o resto do que existe, pois todos são injustos para conosco. Assim prefiro alienar-me a ter que conviver com pessoas tão más. Prefiro a ELA.
Na minha fragilidade, tornei-me vulnerável a qualquer tipo de ataque, não tenho como me defender Por isso, eu e ELA, mesmo a contra gosto, somos cercados de pessoas para nos ajudar, pois mesmo sendo agressivos, temos má pontaria. Nunca acertamos o alvo.
Por vezes eu e ELA ficamos eufóricos, sonhamos grande.
Tornamo-nos poderosos. Aí somos perigosos, capazes de praticar os piores desatinos, afinal somos mutantes. Nesse ponto nosso barco que julgávamos navegar em águas tranqüilas, faz água, afundamos e estamos novamente imersos na escuridão.
Numa nau à deriva, sujeitos a ventos e tempestades. Solitariamente, eu e ELA, minha inseparável companheira.
Aquela de ombros fortes, onde constantemente derramo minhas lágrimas, aos pés daquele ouvido que escuta minhas lamúrias, e como o faço! Afinal não tenho pouco a reclamar. Sou um pobre coitado que perdeu tudo e a todos, principalmente a vontade de viver, o que antes me parecia o mais essencial, tanto quanto o ar que respirava.
O pior é quando sinto que as pessoas estão pensando que estou criando situações ilusórias, problemas inexistentes. Que eles não existem, que não passam de doença de quem não tem o que fazer, que é o diabo fazendo moradia em uma mente desocupada. Enfim, é fricote puro. Constato, por força de circunstâncias, que profissionais da área médica não versada no assunto da psique humana, também, às vezes pensam assim. Impossível?
Não. E por falar na categoria médica, eu e ELA já conhecemos diversos. Com alguns nos demos bem, com outros pessimamente. Por certo não me acharam um caso interessante em comunhão com ELA... Ou não encontraram um remédio, ou aconselhamentos para que nós pudéssemos nos sentir melhores.
Muitas vezes nos afastamos deles simplesmente porque os achamos desinteressados em nosso caso, tão inequivocamente mais ricos que os demais casos. Nós, eu e ELA, nos consideramos mais interessantes, não somos para o entendimento de qualquer um. Assim, jogamos na retaguarda, camuflamos a verdade, o que torna ainda mais difícil a nossa volta à realidade da vida.
Não é incomum me sentir um paranóico junto aos demais acompanhantes desse planeta Terra. Eles não conseguem me enxergar apenas triste, desanimado para viver. Não me sinto parte de uma minoria, me sinto só em mim mesmo.
Escuto os incautos me dizendo: saia; faça uma viagem, trabalhe com mais garra, vá a uma igreja, troque de médico, deixe os problemas de lado, esqueça-os e coisas assim. A minha doença para essas pessoas é como um simples trocar de roupas.
É como se trocando de remédios, ou mesmo parando de tomá-los, eu ficaria bom.
Mas na apatia que ELA me deixa, ainda consigo lembrar que tenho dois ouvidos; um para entrar, outro para sair, e quando esses conselhos valem à pena, lembro-me que entre eles tenho um cérebro, ainda que com problemas, capaz de armazenar as informações que julgo úteis. Parafraseando: Eu não sei o caminho para o sucesso; mas, sem dúvida, o caminho para o fracasso é agradar a todo mundo.
Assim como uma Fênix, estou tentando renascer das cinzas, sair do fundo do poço profundo, sombrio.
Como "cada caso é um caso", a minha abordagem é ampla, sem, contudo, não ter a presunção de um tratado médico.
Você sendo essa outra pessoa, é bom que saiba a opinião do Dr. Jeffrey Lynn – "Em geral esse mal atinge os mais ambiciosos, criativos e escrupulosos".
Como nada há de errado em se enquadrar nesse perfil, o nosso objetivo é que você volte a ser ambicioso criativo e escrupuloso, mas policiando-se para não chegar aos extremos e sofrer com as suas conseqüências.

sexta-feira, setembro 02, 2011

Analisando
O atual momento espírita

"Somente os que voam podem entender com clareza porque os pássaros cantam".

Uma panorâmica dolorosa sobre o que estão e estamos fazendo com a união entre o Espiritismo e o Magnetismo.
Ouço, desde pequeno, espíritas de nome, renome ou anônimos, pronunciarem dignos e justos elogios à católica Madre Tereza de Calcutá, pois ela preferiu ajudar criaturas, que viviam na mais profunda e dolorosa miséria, a viverem e sobreviverem com um mínimo de dignidade e respeito humano, do que simplesmente ser apenas e tão-somente mais uma freira. Ouço também falarem e escreverem sobre Albert Schweitzer, protestante prestigiadíssimo por seus dons artísticos, médicos e literários, mas que em nossas palestras irrompe como o valoroso homem repleto de dignidade humana a ajudar pessoas a igualmente viverem e sobreviverem em meio às misérias do cotidiano, sem dar muita importância ao rótulo de a que religião se ligava. Quem não ouviu, soube e até repete exemplos comovedores do hindu Ghandi, que em lugar de se dizer dessa ou daquela religião preferiu libertar seu povo sem um único gesto de violência, fazendo com que seu exemplo e sua vida fossem maiores do que os vínculos que lhe pudessem ou quisessem imputar. E como esses, tantos outros personagens a se destacarem ante a humanidade como exemplos grandiosos de criaturas de bem, sem que seus rótulos digam mais ou menos do que seus feitos...
Em nosso meio espírita, personalidades grandiosas assim têm sido vistas, compreendidas e até divulgadas não pelos seus vínculos a igrejas ou dogmas, mas pelo que verdadeiramente fazem em nome do Bem. Que ótimo que seja assim, afinal fica demonstrado que reconhecemos os valores das ações sem nos determos ante as aparências.
Mas, infelizmente, quando se trata de trabalhador espírita encarnado, o tratamento não é semelhante; não se costuma ter-se a mesma visão límpida para com o bem realizado por ele, seja em que área for.
Nosso querido Chico Xavier, hoje uma unanimidade mundial, sofreu horrores por conta dos “preservadores da pureza doutrinária”, já que, na opinião daqueles, ele infestava o Espiritismo de “novidades” impuras. Hernani Guimarães Andrade, nosso mais expressivo nome em termos de ciência e verdadeiro aprofundamento das bases científicas do Espiritismo, sofreu perseguições cruéis, injustas, mesquinhas, mas que agora, desencarnado, é louvado até pelos que antes o detrataram. Peixotinho, grande médium de materializações do nosso passado recente, hoje é lembrado com saudade, respeito e admiração, mas durante seu exercício mediúnico, conforme me contou minha mãe, a senhora Dagmar Melo, foi quase que execrado publicamente, por ser apontado como mistificador.
Hoje, de uma forma mais generalizada e partindo de onde deveriam surgir os ensinamentos da vivência fraterna, amiga, humana e cristã, assistimos a um espetáculo de duvidoso e péssimo gosto: o de se descobrir quem é e quem não é espírita. Pior ainda é que junto com esse desarrazoado vem o julgamento do que é e o do que não é Espiritismo.
No que parece ser a tônica vigente, quem é espírita não deve apenas ser o que dele preconizou Allan Kardec: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua  transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más”, tal como se encontra, devidamente por ele grifado, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 17, item 4. Espírita, pelo que percebemos na atualidade, é aquele que segue as normas ditadas por alguém ou alguma instituição que se diz defensora da Pureza Doutrinária. E aí, nessa defesa, cabe praticamente tudo: desde o desconhecimento, o desrespeito e a afronta contra a própria obra de Allan Kardec até os limites que diretores e diretorias acham por bem implementar, seja como fruto de suas “experiências”, seja como orientação de seus guias – que parece também desconhecerem a Obra de Allan Kardec.
A alegação é eloquente: “estamos com Jesus Cristo” enquanto os outros “são elementos das trevas, indivíduos do mal que aqui vieram apenas para destruir a pureza de nossa doutrina”.
Surge, então, um fato novo; novo e repugnante: o Magnetismo não tem nada a ver com o Espiritismo. Dizem: são novidades que estão querendo impor à “santa Doutrina”, com o visível propósito de desvirtuar nosso movimento.
Parece não ter adiantado muito Allan Kardec ter apresentado a indissociável ligação entre o Espiritismo e o Magnetismo como chave para resolver o que é possível do impossível, o que não passa de ridícula crendice. A isso ele se reportou muitas vezes, mas, para um mero acompanhamento cronológico, na questão 555 de O Livro dos Espíritos (1857) ele apresenta, de forma inequívoca, a ligação entre as duas ciências. Na Revista Espírita de março de 1858, um ano após, portanto, ele volta a referendar sua visão, opinião e segurança a respeito da união inseparável das duas ciências gêmeas – Espiritismo e Magnetismo. E novamente na Revista Espírita, agora de janeiro de 1869, portanto dois meses antes de desencarnar, ele nos brinda com o seguinte: “O magnetismo e o Espiritismo são, com efeito, duas ciências gêmeas, que se completam e se explicam uma pela outra, e das quais aquela das duas que não quer se imobilizar, não pode chegar a seu complemento sem se apoiar sobre a sua congênere; isoladas uma da outra, elas se detêm num impasse; elas são reciprocamente como a física e a química, a anatomia e a fisiologia”. Chega a parecer que o codificador do Espiritismo queria deixar muito claro que em momento algum mudou de opinião acerca do vínculo entre essas duas alavancas da humanidade. E parece que os defensores da pureza doutrinária não estão conseguindo ver isso. Portanto, vem a pergunta: O que foi que fizemos com o Magnetismo?
A primeira coisa, de ordem prática, foi trocar-lhe o nome: Magnetismo (com M maiúsculo) por passes. Ou seja, permutamos a Ciência em si pela simples referência a um dos seus métodos, uma técnica, um veículo de exteriorização de fluidos.
Agora, quando qualquer estudante interessado quer entender passes, não tem como encontrar apoio na obra de Allan Kardec, pois ele não tratou do assunto com esse nome, passe; para ele, isso é e sempre será uma ciência chamada Magnetismo.
E, pasmem todos que refletirem, esse está sendo um grandiloqüente argumento dos defensores da pureza doutrinária: o passe nada tem a ver com o magnetismo, portanto, ele não é magnetismo, logo, ele deve ser simples como um único gesto, pois quem cura são os Espíritos e não os homens. Meu Deus! Aonde chegaremos seguindo esse caminho?!
Não quero usar isso como comparação, mas fica inevitável me lembrar de que a chamada “Santa Inquisição”, evento que se transformou no maior exercício de perseguição e morte, de injustiça e maldade, de despotismo e prepotência que nossa civilização viveu, todo ele foi realizado em nome de Jesus, em nome da defesa da pureza de seu Evangelho – pelo menos isso foi o que alegou seus deflagradores, administradores e executores.
Este assunto, bem se percebe, não pode ser tratado de forma pequena. Por isso mesmo, não quero tratá-lo apenas envolvido na emoção, mas bem firmado na razão. Para tanto, vou me permitir transformá-lo numa série de artigos, os quais farei publicar em minha página (www.jacobmelo.com), bem como nos sites e blogs de amigos e estudiosos que se interessarem em conhecer o que está ocorrendo no atual movimento espírita e como eu vejo e o que estou fazendo ou procurando desenvolver para que não nos afastemos nem de Jesus, nem de Kardec, nem do Bem, nem da obrigação de servir e amar com eficiência e qualidade.

Jacob Melo ( Parte 1)

(Jornal Vórtice pág. 20 – Agosto 2011)
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domingo, julho 31, 2011


Criança tem depressão, e a incidência está aumentando a cada dia!
Uma criança desatenta na escola, apática ou mesma hiper-ativa, merece ser observada.
O maior problema é que os sintomas da depressão se confundem facilmente com os comportamentos típicos nesta fase da vida.
O sintoma que deve chamar a atenção para a suspeita de depressão infantil é a mudança de atitude da criança.
Atividades lhe davam prazer, passar a ser tratadas com desinteresse. Há alterações no apetite, retraimento social, irritabilidade, agressividade,...
Nas crianças mais novas, devido à falta de habilidade para uma verbalização que demonstre seu real estado emocio­nal, a depressão pode se manifestar através da hiper-ativi­dade.
Além das dificuldades da doença, o seu tratamento esbar­ra num problema bastante comum: o preconceito. Muitos pais relutam em aceitar o fato de que o filho precisa ser encami­nhado a um psiquiatra. Além de não admitir que o filho possa estar com depressão, levá-lo a um psiquiatra, ou um psicote­rapeuta, seria taxá-lo como doente mental. É fundamental que os pais aceitem este diagnóstico, pois o tratamento é uma forma de prevenir quadros piores. Nos últimos anos, a inci­dência de suicídios entre adolescentes praticamente tripli­cou. A maioria deles devido à depressão não tratada.
Uma das principais causas, que podem contribuir, para o aumento desta doença entre crianças e adolescentes, é a liberdade sem limites dados numa fase em que ainda eles não possuem estrutura para organizar o que é bom ou não para si. A liberdade desassistida pode levar, também, a depressão.
Outro ponto que os pais têm que avaliar, é o de atribuir às crianças responsabilidades de adulto, com sobrecarga de atividades extracurriculares, com uma agenda de fazer inveja a qualquer executivo. Criança também precisa de tempo para o lazer e as brincadeiras.
            Abaixo, estão relacionados alguns sinais e sintomas su­gestivos de depressão infantil. Se a criança tiver um número suficientemente importante dos itens, fique atento e procure ajuda especializada.
(neuropsiquiatria, psicoterapeuta,...):

(1)          Queda no rendimento escolar;
(2)          Recusa em ir à escola;
(3)          Falta de concentração;
(4)          Condutas anti-sociais e destrutivas;
(5)          Ansiedade, irritabilidade, agressividade;
(6)          Negativismo, pessimismo;
(7)          Sentimento de rejeição;
(8)          Falta de interesse por atividade que lhe dava prazer;
(9)          Perda ou aumento de peso;
(10)       Mudanças de humor significativas;
(11)       Queixas somáticas (cefaléias, gastrite, diarréias,…)
(12)       Distúrbios do sono (insônia ou dormir demais).

Entretanto, é muito importante determinar se esses sintomas estão, de fato, relacionados com um quadro depressivo, ou se são parte de alterações emocionais da própria idade. Somente um médico poderá fazer o diagnóstico com precisão!
A revista “Pais & Teens”, editada pelo IPA (Instituto Paulista da Adolescência) – maio/junho/julho de 1998, relatou uma experiência bastante interessante, num trabalho de recuperação de crianças depressivas:
No inicio de 1998, a psiquiatra Eliana Curatolo, coordenou uma pesquisa que envolveu 579 crianças de 7 a 12 anos, alunos da 1ª à 4ª séries de duas escolas de Mairiporã (SP) e Franco da Rocha (SP). Um questionário aplicado aos alunos revelou que 122 deles (21%) sofriam de sintomas depressivos. Muitos destes alunos eram indisciplinados, tinham baixo rendimento e eram punidos ou colocados em classes especiais. Segundo a psiquiatra, pais, professores e as próprias crian­ças não entendiam as razões do seu comportamento e não sabiam que se tratava de depressão. Tratadas, as crianças melhoraram de comportamento e de rendimento intelectual. O interessante é que todas as crianças deprimidas, tratadas por Eliana com terapia em grupo, melhoraram sem nenhuma medicação.
O psiquiatra Haim Grunspum também acredita que a psicotera­pia seja mais eficaz na depressão do adolescente e infantil do que a medicação antidepressiva. “Podemos tentar ajudar com a medicação, mas não é o que mais funciona. A psicotera­pia é imprescindível -. “Se não fizer a terapia, não vai resol­ver a depressão”, diz Grunspum.”





II – Exercite-se para sair da depressão



A nota abaixo foi extraída da revista “Tudo” (Ed Abril) de 10/08/2001:

“Os exercícios físicos são um santo remédio também para a mente.
Pesquisadores da Universidade de Berlim, na Alemanha, comprovaram que cerca de meia hora de atividade física por dia já é suficiente para melhorar os sintomas da depressão.
Durante dez dias, médicos alemães submeteram pacientes deprimidos a sessões diárias de meia hora de caminhada na esteira.
A melhora foi significativa e alguns doentes dispensaram até o uso de antidepressivos.
“Os exercícios liberam hormônios no cérebro, que aumentam a sensação de bem-estar e melhoram o humor.”



domingo, junho 26, 2011


A VIDA É MAIOR QUE A CIÊNCIA

Ana Vargas - RS

Em um trabalho de atendimento magnético cada paciente é uma lição. Aliás, cada ser humano é uma lição, uma experiência viva, uma história tocante. Precisamos parar de ouvir o problema para aprender a ouvir a pessoa. Embora, isto, na maioria das vezes, mexa muito com as nossas crenças e verdades adquiridas, transforme em nada uma teoria aprendida e nunca vivida. Exige que sejamos “essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”, como canta Raul Seixas. É preciso abrir a mente e acatar as mudanças e as desordens que o aprendizado faça. É um pouco dessa experiência que quero compartilhar com os amigos do Vórtice, por isso, relato o caso abaixo para reflexão de todos.
Uma jovem mulher, na casa dos 30 anos, esperando o primeiro e muito desejado filho, situação econômica e familiar equilibrada, assistida por um marido amoroso que igualmente sonhava com o nascimento do filho. Porém, junto com a feliz notícia da gravidez chegou a da diabetes materna, aquela que ocorre na gestação. Aos quatro meses, este casal recebeu o diagnóstico que o seu tão sonhado bebê, ao que indicavam os melhores exames médicos, era portador de anencefalia e de uma grave síndrome cardíaca. Passaram um mês percorrendo consultórios médicos, fazendo exames e chorando, vivendo uma dúvida crucial: fazer ou não a interrupção da gestação, conforme indicavam os exames?
Foi neste estado que, em uma tarde de sábado, eles foram levados à Sociedade Vida, na qual trabalho em Pelotas, por uma companheira da instituição. Eu não os conhecia, nem a sua história. Teoricamente, em uma situação como a relatada acima, eu me inclinava a acatar pura e simplesmente o parecer científico. Nunca havia sequer chegado perto de uma mulher grávida vivendo esta situação, meu conhecimento se resumia à leitura e a assistir alguns programas de televisão nos quais mais falam os especialistas do que os interessados diretos. Quando, iniciados os trabalhos, entregaram-me a ficha daquela mulher com o motivo da visita resumido, eu perguntei: Jesus, por que para mim? Mas encarei, decidida a ouvir e a apenas explicar os procedimentos do tratamento de passes que ela buscava. A verdade é que eu não sabia o que dizer para confortá-la e apesar de todo conhecimento espírita faltavam-me palavras.
Mas é Deus quem dispõe, e sabe do que cada um precisa. Chamei à gestante, sentamos, notei que ela estava abatida, fazendo enorme esforço para falar equilibradamente do problema, na verdade não querendo; não insisti, eu também não queria. Fiz o que tinha me proposto, expliquei-lhe bem rápido e fácil o atendimento a ser feito. Tudo muito bem, até colocar minhas mãos sobre ela; bastou isto para eu ver uma menina de trancinhas, feições delicadas, uma linda negrinha, me olhando e dizendo o seguinte: “diz pra ela que eu vou viver”. Aquele ser em forma infantil me passou tanto sentimento, tanto desejo de viver aquela reencarnação que se preparava e já surgia ameaçada, tumultuada, que eu chorei. O espírito não chorava, estava serena e firme, lutando por seu direito e necessidade de voltar a esse mundo. A emoção era minha mesmo. Não consegui nem pensar, apenas obedecer ao pedido. Parei o que estava fazendo, abaixei-me, tinha ficado de pé para aplicar-lhe o passe, e disse-lhe o que estava acontecendo. Não sabia se ela já tinha alguma experiência com mediunidade, com espiritualidade ou em que acreditava, não sabia nada, mas falei. Ela me abraçou chorando muito. Depois, respirei fundo, entendi que a espiritualidade iria interferir na situação, concentrei-me e perguntei o que fazer.
Recebi orientações de dois mentores da instituição para o atendimento, por passes, do feto e da gestante até o final da gravidez. O feto deveria ser tratado com concentrados ativantes aplicados em todo ventre. E a gestante com concentrados no esplênico e sobre o pâncreas, perpendiculares para finalizar. Atendimentos duas vezes por semana. Indaguei se não era pouco, dado a gravidade do caso, e pacientemente deram-me a seguinte resposta: “Não esqueça que o feto está em ambiente líquido”. Dei-me conta das óbvias implicações magnéticas contidas na resposta e calei. Afinal eu não sabia mesmo o que fazer. No atendimento seguinte ela estava melhor, mais confiante, bonita, mais alegre, disse que tinha pensado muito no que havia acontecido, por isso estava calma e o seu sentimento de mãe lhe dizia para fazer o tratamento magnético e aguardar. As notícias médicas se alternaram ao longo dos meses, ora esperançosos, ora não, inclinando-se bem mais ao negativismo.
Em 23 de março, nasceu à pequena. Aqueles que estiveram no 4º EMME, em Pelotas, puderam vê-la, pessoalmente, por nada seu atendimento seria interrompido. Dados os riscos, o parto foi cirúrgico e feito no Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre. De novo, mil notícias se alternaram. E todas chegavam até mim. A primeira foi que a menina não viveria além de horas, tinha muitos, muitos problemas, nem ao menos a cirurgia cardíaca no nascimento os médicos iriam tentar, e não tentaram. Mas, na UTI neonatal, a menina respirava sem aparelhos, dormia, se alimentava, e se movimentava muito bem, apresentando um quadro estabilizado em que pese à gravidade e o inusitado da situação. Ela tem problema de má formação cardíaca, mas a sábia mãe natureza auxiliada pela enorme vontade de viver deste Espírito deu-lhe um caminho alternativo para as funções cardíacas prejudicadas, somente detectadas há alguns dias, em exame de ressonância magnética, e ela vive bem. A cirurgia não tem data, será feita no futuro. A cabecinha é pequena, menor que o “normal”, mas ela responde saudavelmente aos estímulos neurológicos, até o momento enquadrando-se na condição de normalidade e tem crescido mais do que o padrão.
A história é longa e o espaço é curto, resumo: estão todos bem, enfrentando luta do dia, com ânimo e esperança. E a pequena guerreira assume com unhas e dentes seu enorme desejo de viver.
Quando já reencarnada, peguei-a nos braços para dar continuidade ao seu tratamento, de novo não soube o que fazer. E a bendita mediunidade me salvou: vi um dos Espíritos que haviam orientado o atendimento na gestação, e sorrindo, apresentou-se como Regina, e disse-me assim: A vida é maior que a ciência, vai e faz o teu trabalho. Fazer o meu trabalho significava aplicar-lhe passes magnéticos concentrados longitudinais e perpendiculares, fazendo rápidas imposições duplas em torno da cabeça. O resultado é uma menininha linda, cujo grave problema cardíaco encontrou, ainda na gestação, um caminho alternativo que possibilitasse a vida em boas condições. Ela nem ao menos fica roxinha e a cabecinha cresceu no primeiro mês 3cm, o que levou a equipe médica que acompanha o caso ao prognóstico de que, continuando assim, ela chegue ao final do primeiro ano com a cabecinha em um tamanho normal ou senão com uma diferença de apenas 5cm no diâmetro, em relação ao padrão.
Falar sobre esta experiência exigiria um espaço muito maior. Ela foi para mim rica em muitos aspectos e desperta inúmeras reflexões que ultrapassam o interesse no tratamento magnético, na questão da mediunidade, da reencarnação, da nossa tão falada vontade, do amor desse espírito por aqueles que a receberam como filha que rompeu as barreiras materiais, culturais e religiosas para vir lhes dar força e esperança numa hora suprema de agonia; no fato de que não só os que deixam a vida física se comunicam com os médiuns, fazendo girar em torno de nós toda uma ligação com a morte no imaginário popular, mas aqueles que retornam à vida física também podem fazê-lo, sabemos que qualquer espírito pode. Enfim, pode-se pensar e aprender muito.
Para encerrar, eu, imitando Raul Seixas, digo agora o oposto do que dizia antes, aprendi que a vida é maior que a ciência.Δ

domingo, maio 29, 2011



DEPRESSÃO
Joanna de Angelis / Divaldo Pereira Franco
Mensagem extraída da obra Receitas de Paz


A depressão tem a sua gênese no espírito, que reencarna com alta dose de culpa, quando renteando no processo da evolução sob fatores negativos que lhe assinalam a marcha e de que não se resolveu por liberar-se em definitivo. Com a consciência culpada, sofrendo os gravames que lhe dilaceram a alegria íntima, imprime nas células os elementos que as desconectam, propiciando, em largo prazo, o desencadeamento dessa psicose que domina uma centena de milhões de criaturas na atualidade. Se desejarmos examinar as causas psicológicas, genéticas e orgânicas, bem estudadas pelas ciências que se encarregam de penetrar o problema, temos que levar em conta o espírito imortal, gerador dos quadros emocionais e físicos de que necessita, para crescer na direção de Deus

A depressão instala-se, a pouco e pouco, porque as correntes psíquicas desconexas que a desencadeiam, desarticulam, vagarosamente, o equilíbrio mental.

Quando irrompe, exteriorizando-se, dominadora, suas raízes estão fixadas nos painéis da alma rebelde ou receosa de prosseguir nos compromissos redentores abraçados. Face as suas cáusticas manifestações, a terapia de emergência faz-se imprescindível, embora, os métodos acadêmicos vigente, pura e simplesmente, não sejam suficientes para erradicá-la.

Permanecendo as ocorrências psicossociais, sócio-econômicas, psico-afetivas, que produzem a ansiedade, certamente se repetirão os distúrbios no comportamento do indivíduo conduzindo a novos estados depressivos.

Abre-te ao amor e combaterás as ocorrências depressivas, movimentando-te em paz na área da afetividade com o pensamento em Deus.

Evita a hora vazia e resguarda-te da sofreguidão pelo excesso de trabalho. Adestra-te, mentalmente, na resignação diante do que te ocorra de desagradável e não possas mudar.

Quando sitiado pela idéia depressiva alarga o campo de raciocínio e combate o pensamento pessimista. Açodado pelas reminiscências perniciosas, de contornos imprecisos, sobrepõe as aspirações da luta e age, vencendo o cansaço.

Quem se habilita na ação bem conduzida e dirige o raciocínio com equilíbrio, não tomba nas redes bem urdidas da depressão. Toda vez que uma idéia prejudicial intentar espraiar-se nas telas do pensamento obnubilando-te a razão, recorre à prece e a polivalência de conceitos, impedindo-lhe a fixação.

Agradecendo a Deus a benção do renascimento na carne, conscientiza-te da sua utilidade e significação superior, combatendo os receios do passado espiritual, os mecanismos inconscientes de culpa, e produze com alegria. Recebendo ou não tratamento especializado sob a orientação de algum facultativo, aprofunda a terapia espiritual e reage, compreendendo que todos os males que infelicitam o homem procede do espírito que ele é, no qual se encontram estruturadas as conquistas e as quedas, no largo mecanismo da evolução inevitável.

domingo, abril 24, 2011

TUA FÉ TE CUROU

Jacob Melo


Coisa desagradável é tirar pirulito da boca de criança. Mas nem sempre só isso o é. Entretanto, quantas vezes passamos anos e anos na vida com verdadeiros bombons deliciando nosso paladar e, um dia, descobrimos um diabetes ou alguma gordurinha localizada a nos pedir reflexão acerca daquilo que é tão doce, tão delicioso! Não é que o docinho mude de sabor, mas a forma como nos relacionaremos com ele precisa mudar.
Muitas vezes, verdades evangélicas e morais são assimiladas de forma tão singela que chegam a não pedir maiores reflexões, principalmente quando favorecem as acomodações. Todavia, quando precisamos de verdades mais eloquentes em nosso íntimo percebemos ser necessário repensar, revalorizar o que temos acrisolado.
Sempre ouvimos que “a tua fé te curou” e, pensando bem, quase nunca nos damos conta de que esta frase não tem aí seu ponto final. Costuma ser acrescida de “e não tornes a pecar, para que não te suceda algo pior”.
É meio parecido com bula de remédios que diz como e para que sirva aquilo, ao tempo em que previne das reações adversas e contra-indicações.
E a maior semelhança está exatamente no fato de buscarmos saber para que sirva e costumarmos dar pouca atenção aos riscos envolvidos. Mas, por que será que Jesus usou tanto essa exclamação?
Seguramente, ele estava dizendo que a cura é um processo que tem seu disparo inicial dentro de quem quer ser ou precisa ser curado. E ele disse isso de outra forma também: “conhecerás a verdade e esta te libertará”. Libertará do quê? Será que eu sabendo de uma coisa estarei livre dela? Se alguém fuma e sabe dos perigos daí advindos, simplesmente estará livre do fumo ou de seus efeitos só por conhecer os malefícios associados? Dá para se perceber que o entendimento disso tudo não é apenas um chupar de balinhas, mas de processar tudo o que lhe é decorrente e consequente.
Lógico que alguém já pode disparar: e quem está em coma? E quem não acredita? E quem não quer? Não tem vezes que a cura os atinge igualmente enquanto que outros que querem e fazem por onde atingir a cura, não  parece  que ela deles foge desbragadamente?
A fé é sentimento íntimo, inato e que se desenvolve com o avanço intelecto-moral do ser humano. Intelecto-moral porque se fundamenta nos sentimentos mais íntimos e profundos do ser e vai se robustecendo à medida em que a confrontação com a razão amplia-lhe a base. Significa dizer que essa fé não se liga necessariamente a uma crença ou doutrina em particular e sim à maneira com que se lida com o plausível e o impalpável, o real e o imaginável, o denso e o sutil. Assim há quem verbalize não ter fé, porem, no modo de vida, expresse exatamente o oposto; de igual forma ocorre o reverso.
É de se destacar o caso da mulher hemorroíssa (Matheus, 9, 20-22) que apenas tocou a veste de Jesus e se curou. Ele disse a ela que foi a fé que agiu, mas fica a questão: por que será que a fé não atuou desde o momento em que se instalou em seu coração, mas apenas quando ela Lhe tocou as vestes? Este é um caso por demais significativo. A fé funcionou ou fez funcionar uma atração fluídica surpreendentemente eficaz, mas, ainda aí, foi necessário um toque, um quê de detalhe adicional para que a manifestação material se desse. Ou seja: a fé a curou sim, mas não a fé da crença ou de uma espera inativa e sim a fé que levou-a a mover-se até a fonte, até o “campo energético” por excelência que a curaria.
Por fim, quando Jesus assevera que se tivermos uma fé do tamanho de um grão de mostarda, ao tempo em que sinaliza que ainda estamos com uma fé absurdamente pequena em nossas almas, Ele nos conclama a uma percepção mais rica e profunda desse sentimento. A fé verdadeira pede movimento, ação, retirada de obstáculos, tempenho, esforços constantes e vitórias. É assim que a doce fé do simples crer que é e será deverá ser substituída pela fé da ação, da perseverança, da busca, da luta, do mergulho interior levandonos grandiosos para o exterior.
A nossa fé nos curará sim. Mas precisaremos ir além de comer docinhos.  precisamos nos alimentar de vida para a Vida nos presentear com as curas reais.
JJornal Vórtice – março/2010_

sábado, abril 02, 2011



PALAVRAS do Codificador

REVISTA ESPÍRITA
Março de 1858



O magnetismo e o Espiritismo

Quando apareceram os primeiros fenômenos espíritas, algumas pessoas pensaram que essa descoberta (se se pode aplicar-lhe esse nome) iria dar um golpe fatal no Magnetismo, e que ocorreria com ele como com as invenções, das quais as mais aperfeiçoadas fazem esquecer a precedente. Esse erro não tardou em se dissipar, e, prontamente, se reconheceu o parentesco próximo dessas duas ciências. Todas as duas, com efeito, baseadas sobre a existência e a manifestação da alma, longe de se combaterem, podem e devem se prestar um mútuo apoio: elas se completam e se explicam uma pela outra. Seus adeptos respectivos, todavia, diferem em alguns pontos: certos magnetistas (1) não admitem, ainda, a existência, ou pelo menos a manifestação dos Espíritos: creem poder tudo explicar pela única ação do fluido magnético, opinião que nos limitamos a constatar, reservando-nos discuti-la mais tarde. Nós mesmos a partilhamos no princípio; mas, como tantos outros,devemos nos render à evidência dos fatos. Os adeptos do Espiritismo, ao contrário, são todos partidários do magnetismo; todos admitem a sua ação e reconhecem nos fenômenos sonambúlicos uma manifestação da alma. Essa oposição, de resto, enfraquece-se dia a dia, e é fácil prever que não está longe o tempo em que toda distinção terá cessado. Essa diferença de opinião não tem nada que deva surpreender. No início de uma ciência, ainda tão nova, é muito simples que cada um, encarando a coisa sob o seu ponto de vista, dela se tenha formado uma idéia diferente. As ciências, as mais positivas, tiveram, e têm ainda, suas seitas que sustentam com ardor teorias contrárias; os sábios ergueram escolas contra escolas, bandeiras contra bandeiras, e, muito frequentemente, pela sua dignidade, sua polêmica, torna-se irritante e agressiva pelo amor-próprio melindrado, e desviada dos limites de uma sábia discussão. Esperemos que os sectários do Magnetismo e do Espiritismo, melhor inspirados, não deem ao mundo o escândalo de discussões muito pouco edificantes, e sempre fatais para a propagação da verdade, de qualquer lado que esteja. Pode-se ter sua opinião, sustentá-la, discuti-la; mas o meio de se esclarecer não é o de se dilacerar, procedimento pouco digno de homens sérios, e que se torna ignóbil se o interesse pessoal está em jogo.
(1) O magnetizador é aquele que pratica o magnetismo; magnetista se diz de alguém que lhe adote os princípios. Pode-se ser magnetista sem ser magnetizador; mas não se pode ser magnetizador sem ser magnetista.
O Magnetismo preparou os caminhos do Espiritismo, e os rápidos progressos dessa última doutrina são, incontestavelmente, devidos à vulgarização das idéias da primeira. Dos fenômenos magnéticos, do sonambulismo e do êxtase, às manifestações espíritas, não há senão um passo; sua conexão é tal que é, por assim dizer, impossível falar de um sem falar do outro. Se devêssemos ficar fora da ciência magnética, nosso quadro estaria incompleto, e se poderia nos compara a um professor de física que se abstivesse de falar da luz. Todavia, como o Magnetismo já tem entre nós órgãos especiais, justamente autorizados, tornar-se-ia supérfluo cair sobre um assunto tratado com a superioridade do talento e da experiência; dele não falaremos, pois, senão acessoriamente, mas suficientemente para mostrar as relações íntimas das duas ciências que, na realidade, não fazem senão uma.
Devíamos, aos nossos leitores, essa profissão de fé, que terminamos rendendo uma justa homenagem aos homens de convicção que, afrontando o ridículo, os sarcasmos e os dissabores estão corajosamente devotados à defesa de uma causa toda humanitária. Qualquer que seja a opinião dos contemporâneos sobre a sua conta pessoal, opinião que é sempre, mais ou menos, o reflexo de paixões vivas, a posteridade lhes fará justiça; colocará o nome do barão Du Potet, diretor do Jornal do Magnetismo, do senhor Millet, diretor da União Magnética, ao lado dos seus ilustres predecessores, o marquês de Puységur e o sábio Deleuze. Graças aos seus esforços perseverantes, o Magnetismo, tornado popular, colocou um pé na ciência oficial, onde dele já se fala, em voz baixa. Essa palavra passou para a linguagem usual; ela não espanta mais, e quando alguém se diz magnetizador, não lhe riem mais ao nariz. 
Jornal Vórtice - Março/2011 (pag. 07)