Técnicas de Psicoterapia Holística,
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sábado, dezembro 01, 2012

 
 
 
 
 
 
 
COMO   MANTER  SEU  TRABALHO
Pirineus de Souza
“Quando a Depressão Ataca”
Em meio a outras colocações o assunto já foi abordado de maneira mais indireta, mas é primordial fazer-se a pergunta: o meu trabalho me interessa de fato? Não será ele a causa principal dos meus problemas? Poderei sobreviver sem ele? Uma reciclagem não seria interessante para mantê-lo? A procura de uma outra atividade não é mais aconselhável?
Faça sua análise particular e com o seu terapeuta, quem estará prejudicando quem. O seu trabalho a você, ou você a ele? Se for você a causa, tente de toda forma se readequar a ele, pois como o desemprego e a competição dos dias de hoje são grandes, não podemos ignorar que no seu estado, só tenderá a levar desvantagens, relativamente àqueles que estão bem e no páreo.
Se nas perguntas iniciais você se conscientizou que não terá meios de sobrevivência sem o que faz e não tem outra opção para outro reinício, alie-se aos remédios e aos terapeutas. Troque-os se necessário. Encare os fatos como possíveis e não como passíveis de serem resolvidos.
No desempenho das suas tarefas, você lida com equipamentos que exigem atenção, ou agilidade na operação? O seu médico terá que saber para adequar a medicação a esse manuseio, ou mesmo afastá-lo, enquanto não tenha condições.
Observe-se, como está a sua destreza, a sua atenção, os seus reflexos, a produtividade. Escute as considerações que lhes sejam feitas, todos são indícios para não acontecerem fatos desagradáveis e não sendo possível você executar suas tarefas habituais, tente uma mudança temporária nos seus afazeres.
Afastamentos só devem acontecer em último caso e a volta ao que habitualmente você executa, só quando estiver apto. Evite ao máximo os pedidos constantes de licenças e nesse tempo, não use as folgas facultativas desnecessariamente. Você poderá precisar delas mais à frente. Caso você ainda não fez uma autocrítica, outros podem fazê-la. Basta não valorizar a assiduidade, o desemprego, a cordialidade para com os colegas, e você sabem, a fila de interessados em sua vaga é imensa.
Portanto, não despreze os detalhes que no final podem contar pontos.
Nem sempre somos ligados às Leis Trabalhistas, mas elas contém nuances, detalhes que antes nos pareciam supérfluos.
Mas, nesse momento, é indispensável que os valorizemos e os entendamos. Para isso, procure ler sobre o assunto e se informar, até onde vão os seus direitos. Informe-se de pormenores, entrelinhas, inclusive assegure-se deles. Faça consultas junto ao seu sindicato, a profissionais que entendam.
Por vezes vemos o chefe, o patrão como vilões, e nem sempre vamos estar em estado de autocriticar-nos e concluirmos pela nossa culpabilidade nos problemas com o trabalho. O dito popular, "a corda sempre arrebenta do lado do mais fraco" é verdadeiro. Compulsivamente, somos levados a tomar partido de nós mesmos, mas será que estamos certos? Não foi falha nossa?
Nesse sentido é bom sabermos junto aos nossos superiores como anda o nosso desempenho no serviço e reflita se é possível uma melhora, ou se estamos aquém dessa expectativa devido ao nosso estado.
Seus colegas por certo estão achando-o diferente, mas não têm idéia da sua turbulência interior. Não é necessário que o saibam, a não ser os mais íntimos. Hoje a medicina é capaz de ajudá-lo a camuflar os sintomas e mais uma vez repito, não estou pedindo ou induzindo você a mentir e sim, tanto quanto possível, omitir.
A tristeza por si só, talvez não lhe tenha causado sintomas aparentes e lhe seja difícil guardar só para você o que está se passando. Como a depressão é muito complexa e difícil de ser compreendida, os profissionais da medicina que no momento lhe tratam, não são vistos pela maioria como os mais recomendáveis. Se reserve. Sempre haverá alguém para tocar na ferida. Seja cauteloso em seus desabafos e em sua maneira de agir. O momento assim exige. Se alguma das perguntas iniciais não puder ser respondida de imediato, não se apresse em fazê-lo. Deixe para quando os problemas estiverem sob controle. Também analise onde você se enquadra e quais as soluções a tomar.  
Observe se não está chegando atrasado ao seu trabalho. Se não está se ausentando com muita freqüência, ou mesmo saindo mais cedo. O dormir poderá estar sendo um canal de fuga, a ida ao bar da esquina... Aqui dou uma parada maior. Você não estará bebendo demais, e mesmo durante o horário de expediente? Mesmo que não esteja fazendo isso durante seu horário de trabalho, a sua ressaca não estará interferindo no seu humor, na sua capacidade de raciocínio? Responda para você mesmo: o álcool não pode estar servindo de válvula de escape?
Se for, reaja, procure ajuda, pois se você não se contiver, não só seu trabalho estará comprometido, mas todo o seu mundo, interior e exterior. Seja o álcool, remédios sem serem devidamente receitados, drogas, todos são inimigos do seu sustentáculo. Se por esses caminhos ocorrem as suas fugas, que seja apenas um deles, continuar realimentando-os significa uma derrota após outra em sua vida. A mistura de qualquer um desses vícios com antidepressivos pode ser fatal, sem contar nas seqüelas que podem provocar. Durante o seu tratamento nem o hábito de beber socialmente pode ser cultivado, tampouco a já famosa primeira dose. Olhe a sua volta, quantas pessoas não têm o privilégio de poder trabalhar como você. Não tiveram as oportunidades que você teve, não são preparadas profissionalmente como você, têm deficiências que as impossibilitam de exercer o que você executa. Agradeça a vida por assim ser, e procure os meios para que continue. Pode até parecer impossível, mas você terá que lutar com todas as suas forças e meios. Mentalize: minha depressão vai passar e vou ter de continuar a trabalhar. Ela há de passar mais cedo ou mais tarde e seu trabalho continuará.
Portanto, não encoste, não o afaste antes do tempo certo ou devido.
No capítulo “Ela Aposentou Você” literalmente, enfoquei situações em que as pessoas involuntariamente tiveram de se aposentarem, devido á depressão. Existem casos em que nem toda boa vontade do mundo conseguiu deter a marcha dos acontecimentos. Mas como foi tratado, nem tudo está perdido e para continuar a viver, sempre há de existir esperanças e sonhos.
Nunca tudo estará perdido. Mas esse não será o seu caso, você há de se superar e recorrerá a todos os meios ao seu alcance para se manter ocupado com o seu trabalho. Pense nessa possibilidade e vislumbre um futuro sombrio, a ociosidade, a falta do que fazer. Será bem pior de administrar. Talvez tenha que redobrar suas forças, a sua criatividade para um recomeço incerto. Nada melhor que autocontrolar-se e manter o certo, o seguro e que você já sabe como fazer.
Com ajuda ou sem ela, você concluiu que o seu trabalho é o motivo real da sua depressão. Nada mais resta a fazer. Você não se sente bem, falta-lhe motivação, sente calafrios só de pensar no trabalho, é a angústia do seu existir. Pode ser uma conclusão camuflada, às vezes "os colegas" são os que mais o chateiam e você não pode afastá-los. Seja prático, peça transferência para outro local. Não fuja da realidade, que o problema é você e não os outros. Fale com seus terapeutas, encontre caminhos, paliativos, um meio termo para harmonizar o quadro. Caso todos eles falhem, não aja por impulso. Isso sempre, ou quase sempre, funciona. Se tudo estivesse bem com você, o seu espírito de luta, de autoperseverança poderiam lhe ajudar, mas não é esse seu caso. Agindo cautelosamente, você poderá manter seu trabalho até que se recicle, aprimorando-se em sua própria atividade ou em outra. Só que procurando acertar para que não venha no futuro, arrepender-se da escolha.
Errar é humano, mas perseverar no erro não é nada recomendável. Sendo a vida uma escola, olhe ao seu redor e encontrará muitos exemplos do que estamos falando.
Por você ter caído de cabeça no seu trabalho, esqueceu-se de avaliar suas condições físicas e psicológicas para executá-lo e dar continuidade a ele. O bom senso manda você ir mais devagar à consecução dos seus objetivos, ou até mesmo dar um tempo para que você volte à forma. Essa de que "o importante é agora" poderá estar sendo a causa da sua situação, no fundo do poço. E o futuro? Ninguém depende de você? Nesse seu futuro está seu trabalho? Sem ele como será a sua vida? Não será a falta de férias? Mas preste atenção, se você as gozou e alguma coisa ainda vai de mal a pior, será que realmente é o seu trabalho o problema? Se questione, se cobre uma resposta. O motivo pode ser outro bem diverso para a sua falta de motivação e tristeza.
Enfoquei os prós e os contras, devido aos casos em questão, tenderem a se manter enquanto não houver a superação ou aniquilação dos motivos que os ocasionaram.
O seu trabalho não estará sendo afetado por causas externas, devido aos seus problemas afetivos, a sua situação financeira, a sua saúde física? Os motivos poderão advir deles e não do seu serviço. Só o culpe, quando afastadas todas as possibilidades. Ele não pode tornar-se bode expiatório, se é essencial para a sua sobrevivência.
Priorize seus valores, a solução dos problemas que o afetam, revitalize sua vontade de trabalhar, de produzir. Você pode ter 20 anos e se encontrar nessa situação, mas vale à pena abandonar o que você está fazendo? Pode não ser ele a causa.
Você pode ter 40, 50 anos, a situação é a mesma? Diria que sim, pois todos terão de recomeçar, nem sempre assertivamente. Daí, você pensa como a estrela do outro brilha e a sua não. Acontece. Nem perfeitos somos por natureza. É tudo uma questão temporária.  Depois, mais equilibrado, o brilho da sua voltará. Por isso repetimos, vá sempre em frente, nem que seja pelos lados.
Você já tem tempo de serviço suficiente para aposentar-se, mesmo assim racionalize. Não o faça enquanto não tiver outras perspectivas de atividades ocupacionais, coisa que já deveria ter feito, mas foi pego de surpresa pela angústia. Protele, até pressentir o que vai fazer, mesmo que o impossível aconteça: chegar à conclusão que não poderá fazer nada. Mas aí você terá todo o tempo do mundo para pensar e chegar as suas próprias conclusões.

sábado, outubro 20, 2012

Para Manter seus Círculos Afetivos

 (Quando a Depressão Ataca - Pirineus de Souza)

 Avalie como andam seus relacionamentos, seja em casa, na sociedade, no seu trabalho (lembre-se que por oito horas úteis/diárias, você convive com esses colegas). Alguma coisa mudou? Até que ponto você aquilata a sua tristeza? Se sente só, abandonado? O que fez para que as pessoas se afastassem de você? O seu humor despenca das nuvens para o chão e vice-versa? Na troca de apenas algumas palavras já sente necessidade de agredir o seu interlocutor? Ou já não existe diálogo? Seu mundo está mudo? Pare e pense: o que você tem feito para manter os seus relacionamentos? Nada? Você está amargo e a vida não tem sentido.  O que os outros
vão querer com a sua amizade, o seu amor, sonhos? Como compartilhar o que você não tem para dividir? Encheria páginas e páginas de perguntas para as quais você só teria uma resposta – não tenho feito nada para cultivar o meu lado afetivo. Quando muito, poderá responder: tenho tentado, mas me falta ânimo, autocontrole. Assim você vai ficando cada vez mais só. Os círculos dos quais estou falando são como plantas. Se você não regar, morrem. E não serão fáceis de serem reconstituídos. Afinal, você está lidando com o que há de mais caro na sua existência, depois da própria sua vida. Seus bens materiais, você não levará quando morrer. Preste atenção que caixão não tem gaveta. Mas, os sentimentos, esses, mesmo depois da sua partida, ou de outrem continuarão, na saudade, nas lembranças.
O pior que poderá ocorrer será você ter que tentar reconstituí-los, depois que a sua alegria de viver voltar. O casamento se desfez em casquinhas. Você já não tem o carinho da pessoa amada. Seus filhos não se fazem presentes; seus amigos se afastaram. Guardaram de você a imagem de uma pessoa amarga, presa em sua própria essência. E para reconquistar esses entes queridos, você vai ter que lutar e poucos entenderem suas grosserias, seus atos impensados.
Não vejo outra saída para evitar suas bruscas mudanças, que não o auxílio terapêutico. Com as suas orientações e remédios moderadores ou equilibradores de comportamento, muito mal-estar poderá ser evitado. 
Amizades, amor, novos círculos de relacionamentos, não são fáceis de constituírem. Exigem uma infra-estrutura para trocas e não podem surgir do nada.
Entenda que palavras podem machucar mais que uma agressão física. Cicatrizes poderão ficar gravadas, por mais que você tente amenizar o quadro. E nada mais poderá ser como antes.
Na recuperação da sua vida, as pessoas hão de ser muito importantes. Você poderá sentir como seria mais fácil se pudesse contar com a ajuda de fulano ou de sicrano. No entanto, por um tempo você se alienou e os demais podem ter interpretado como pouco caso da sua parte. E como explicar o inexplicável? Como recompor essas amizades, seu amor? O perdão é pregado principalmente da boca para fora. Assim quem estará disposto a lhe perdoar? Durante esse tempo, você se conscientizou dentro de seu quadro de autopiedade, que se você quisesse alguma coisa, teria que se safar pelos seus próprios meios. Se mandasse ou pedisse, poderia não surtir resultado.
Mas você esqueceu-se de analisar que a vida dos demais viventes também estava em andamento e eles não podiam parar para esperá-lo. Você se magoou, e acha-se abandonado por isso.
A sua tendência é a de generalizar que todos se voltaram contra você, e aí se pergunte, há quanto tempo já não procura mais aquele velho amigo de longas datas? Pode ser que o tenha visto ou se comunicado com ele antes que a depressão o acometesse. Talvez um simples telefonema possa restabelecer a situação. É bom constatar antes de generalizar. Se por uma causalidade encontrar um amigo, poderá aquilatar que o sentido de rejeição é só da sua parte. Os que o rodeiam e que o acompanham de certo são os mais prováveis de sentir ressentimentos com relação a sua pessoa. Mas no seu balanço afetivo, depois que tudo estiver de volta ao normal, você até agradecerá por ter se afastado de alguns. Foi preciso acontecer o inevitável para que você as visse por inteiro. Para aquelas a quem o convívio lhe faça falta, recorde que perdão foi feito para pedir e para dar. Vença essa barreira. Os círculos provavelmente irão retornando e certamente algumas baixas haverão de acontecer, umas mais, outras menos sentidas. As mais representarão mais que uma perda financeira, ou um bem material. Daí insistirmos na preservação ou tentativa de manutenção dos relacionamentos de uma forma equilibrada para que você não se arrependa depois.
No capítulo “Os iguais se atraem”, abordei o assunto, mas não é demais repeti-lo. Figurativamente falando, em seu vale de lágrimas, de uma forma ou de outra, você tende a se aproximar de outros depressivos. Na sua situação, já tem problemas de sobra, ainda tem que escutar e muitas vezes tentar resolver os alheios. Antes você era um elo achado nos momentos de aflição dos seus amigos, dos seus familiares. Agora, mesmo no estado em que você se encontra essas pessoas nos momentos de desespero, não recordarão disso e continuarão a procurá-lo. Isso não o poupará de eventuais pedidos de ajuda e mesmo de ação.
Pondere e se ame antes de tomar qualquer iniciativa. Seja egoísta. Se a sensibilidade dos outros não é suficiente para entender o seu estado de espírito, eles não perderão a oportunidade de continuar a se apoiar nos seus já frágeis ombros, antes tão fortes. Não procure dar o que não tem, seu ânimo está enfraquecido. Explique-se de forma tal a não afastar-se daqueles que sempre confiaram na sua pronta ajuda. Seja diplomaticamente correto. O egoísmo sugerido é no sentido de se preservar, de não sofrer mais do que está sofrendo. É poupar-se de emoções passíveis de serem evitadas, nesse momento em que a busca do seu equilíbrio é tão necessária. 
O altruísmo nessa altura do campeonato não deve ser a peça chave em seu contexto. Somos o que "piscamos" para aqueles que nos cercam e para muitos, somos como faróis, sendo que de momento você não está em condições de iluminar caminhos. Muito pelo contrário, está à procura nem que seja de um raio de luz para si mesmo.
A natureza nos mostra que as árvores têm raízes que servem como que pára-raios para escoarem as descargas elétricas. Faça e recomende encostar a uma, que mal não lhe fará, pois as cargas negativas se escoarão através desse contato.

domingo, setembro 23, 2012


Procurando a Cura

Pirineus de Souza
"Quando a Depressão ataca"

A procura da cura, das saídas, a luz no fim do túnel, exigem uma longa caminhada e certamente nunca fácil.
Em primeiro lugar, o depressivo tem que se conscientizar do amor por si mesmo. Em segundo, sair da mesmice que qualquer especialista médico é o indicado para o seu caso. No máximo poderão encaminhá-lo para os psicoterapeutas capazes de mostrar o que fazer.
Pessoas do relacionamento do depressivo hão de notar que o ambiente ao seu redor está comprometido. E se não puderem, pessoalmente, tomar alguma atitude, que peçam ajuda. O importante é deter a bola de neve que está se formando. O paciente tem que acreditar ser ele um tesouro no universo. Sentir-se amado; amparado. Atentar que as oportunidades existem para todos e vale o lembrete: se a vida lhe deu um limão, faça dele um limonada. É necessário dar sentido para sua existência. É preciso, caso a pessoa não seja capaz, mostrar-lhe esse caminho. É necessário compreender que não devemos somar nossos problemas, fazendo de todos um só pacote e sim resolvê-los, um de cada vez. Ao nos defrontarmos com um deles, nos coloquemos a sua altura, em pé de igualdade.
Por maior que ele seja, devemos imaginar estarmos subindo uma escada, degrau por degrau e olhando-o de cima, ele irá ir ficando pequeno, até ficar do tamanho devido. Ao problema que aparecer em meio a outros e que você não tenha a solução de imediato, hoje ou daqui a um mês, eu pergunto, vale a pena se desesperar? Vale a pena não dormir? Ficar irritado?
Nessas ocasiões, o autocontrole é de muita valia, no sentido de organizar cada compartimento da sua mente e estar contribuindo para a volta do seu perfeito equilíbrio.
Seguir a orientação dos psicoterapeutas é primordial e sua colaboração mais ainda, inclusive observando as suas reações durante o tratamento. Isso poderá acarretar mudanças na medicação, nos métodos terapêuticos, o acréscimo ou diminuição de remédios e sessões. Devo lembrar que o doutor é o médico, ele estudou para isso e a você só resta colaborar. Não devemos pular de galho em galho, trocando de especialistas.
Pode não ser bom, pois eles abordarão um caso já em andamento e terão que pesquisá-lo desde o início. Mas nada o impede de analisar os resultados que esteja alcançando. Se notar que outros profissionais sejam mais indicados, mude. Afinal, você se ama e sabe o que é melhor para si próprio.
Não dê ouvidos a quem o criticar pelo uso de remédios. Eles existem para proporcionar bem-estar e não serão os "outros" a impedi-lo de fazer uso deles. Na hora certa seu médico poderá ministrar-lhe apenas doses de manutenção, ou mesmo se poderá deixar de tomá-los, marcar consultas de rotina.
A essa altura, você já terá entendido o quanto valeu a pena passar por cima dos preconceitos e ter uma qualidade de vida melhor.
Em suma, a doença é sua e cabe a você assumi-la. É uma bandeira que outra pessoa não poderá carregar. No máximo, ela poderá compartilhar com você dessa sua viagem.
Como o terapeuta é peça chave nos distúrbios de comportamento, o leigo pode ser levado a pensar que ele só cuida das "neuras" da vida. E que seu quadro de tristeza, independente da fase de duração e intensidade, não seja da competência desse especialista. As metodologias de tratamento podem até se confundir, mas no seu caso, o motivo é a desorganização dos neurotransmissores cerebrais e se não tratados convenientemente, seqüelas poderão dar origem a outros distúrbios de probabilidades catastróficas - iguais ou maiores que uma depressão.
A reordenação dos seus neurônios exigem a assistência médica e terapêutica especializadas. Você poderá estranhar a aparente frieza desses profissionais, aptos a cuidarem de você, sem envolvimentos emocionais. Seja qual for o caminho escolhido para se ajudar, fique atento para embarcar na primeira oportunidade para o caminho da vida normal.

sábado, setembro 01, 2012

DEPRESSÃO


 
 
 
 
 
 
 
 
 
As Internações

 Pirineus de Souza
"Quando a Deprssão Ataca"
 
Os pacientes tratados em suas residências tendem a apresentar melhores resultados que aqueles tratados em clínicas, pois o aconchego do lar é mais salutar. Mas digamos que nessa sua jornada, algum motivo o levou a uma clínica. Seja ela qual for não se trata de um clube (principalmente de lazer) e não é agradável; muito pelo contrário. E se essa clínica for de repouso, você se defrontará com casos de dementes mentais. São seres humanos fora da realidade. Sua cabeça está a mil com as palavras desconexas que ouve, com os gritos e a visão de comportamentos atípicos. Se estiver lá para uma sonoterapia vá lá, mas por outros motivos, há de presenciar cenas que por certo o marcarão muito e poderão servi-lhe de alerta. É nesse ponto que cobramos a sua auto-análise e crítica. Muitos que assim estão não encontraram a saída e enveredaram por outros meandros de doenças mentais. Foi à entrega para as drogas, o alcoolismo, ou outras formas alternativas encontradas para se livrar da tristeza. Uma coisa puxa a outra, que você vê nos olhares, nas expressões, ou na fúria pela falta de controle.
Se a falta de apetite debilitou-o a ponto de chegar a uma internação, você poderá conviver, mesmo que em um hospital comum, com outras doenças. E querendo ou não, irá se deparar com quadros deprimentes, que em nada contribuirão com a sua melhora.
Abordei em outro capítulo, as doenças oportunistas que atacam a pessoa depressiva, inclusive as fatais. Já pensou estar em um hospital convivendo com elas? 
Poderia descrever inúmeras oportunidades de situações a que seu caso pode chegar. É preciso, ainda que me torne repetitivo, atinar para a recuperação da sua auto-estima, cuidar-se tanto mental como fisicamente, se autopreservar para não incorrer ou reincidir em internações. São situações extremadas, mas que infelizmente ocorrem.
Para a guerra aqui tratada, todas as armas são válidas. Usem-as todas, inclusive a principal, o amor próprio, pois sem ele, o seu arsenal estará fraco e as demais não surtirão o efeito desejado.