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sábado, fevereiro 16, 2013

 
 
 
 
O papel do Terapeuta Holístico
Qual é o papel do Terapeuta Holístico?
 
Por: Gabriel Mallet Meissner (São Paulo. Março/2004).

Há muita confusão e desinformação em nosso país a respeito de qual é realmente o papel de um terapeuta holístico. O que faz ele? O que não faz? Qual é a extensão e qual é o limite da sua prática profissional? Como deve agir em relação aos clientes que o procuram? Estas e outras perguntas busco aqui responder, de acordo com meu próprio trabalho como terapeuta holístico. Este artigo, portanto, reflete a maneira como faço minhas sessões de tratamento energético e como oriento meus clientes. Para facilitar, dividi o artigo em tópicos.

A relação entre a medicina tradicional e as terapias holísticas
Há uma tendência a se acreditar que terapeutas holísticos pretendem substituir médicos na prática da medicina. Não é este o caso. O médico tem um campo de atuação, enquanto que o terapeuta holístico tem outro. Um não exclui nem substitui o outro. Ao contrário, ambos se complementam.
Afirmam os terapeutas holísticos que os seres humanos (o mesmo valendo para animais e plantas) possuem não apenas um corpo físico, mas também um corpo energético, que o circunda e o interpenetra. E que este corpo energético é o que origina o próprio corpo físico (afinal, como hoje os físicos sabem, matéria é energia condensada).
Afirmam também que, se temos uma doença no soma, temos um desequilíbrio ou bloqueio correspondente no corpo energético (também chamado de etérico). Que toda doença se manifesta em ambos os corpos. E que, portanto, devemos tratar ambos.
Ora, o papel do médico é tratar do corpo físico e suas doenças. O do terapeuta holístico (também chamado de terapeuta energético), tratar do corpo energético e seus desequilíbrio e bloqueios.
Portanto, ambos os profissionais são agentes da saúde, mas de âmbitos diferentes dela: o primeiro, da saúde física. O segundo, da saúde energética.
Tratar somente o corpo físico com um médico é um tratamento incompleto. Da mesma forma, é incompleto tratar somente o corpo energético com um terapeuta holístico e deixar de tratar do corpo físico com um médicocompetente.
É por isso que ao falarmos em terapias holísticas, não devemos designá-las de terapias alternativas. Este termo é enganoso, pois causa a impressão de que são substitutas dos tratamentos médicos, de que são "alternativas" a eles. Porém, pelos motivos já expostos, esta é uma concepção errônea das terapias holísticas e o termo "alternativo" deve ser evitado. Um termo mais correto e que tem sido aos poucos adotados por diversos terapeutas holísticos é denominar seus métodos de terapias complementares. Ou seja, tratamentos que, realizados como complementos dos tratamentos médicos, auxiliam e aceleram o processo de cura promovido pelos mesmos.
Também pelos motivos acima expostos, há um consenso entre terapeutas holísticos sérios de nunca recomendar a um cliente que, em caso de doença, abandone o tratamento médico tradicional. A recomendação de um terapeuta holístico neste caso deve ser a de que procure um médico de sua confiança, bem como faça, paralelamente, o tratamento energético.
Terapeutas holísticos só devem ser procurados isoladamente, isto é, sem se procurar também um médico, quando o motivo da procura não é uma doença física, mas algum outro motivo que seja da competência do terapeuta.
Pelos motivos expostos, o terapeuta holístico deve tomar cuidado para que seus clientes não o tomem por um médico. E sempre que alguém o fizer, deve orientá-los a não o tratar como se fosse um.
Assim, um terapeuta holístico não usa termos como "doutor" para designar a si próprio, não chama aqueles que os procuram de "pacientes", mas de "clientes" ou outro termo mais adequado, nem costuma usar, em suas sessões, jaleco, roupas totalmente brancas ou realizar qualquer outro procedimento de caráter médico.
NOTA: Na realidade, nada impede que um terapeuta holístico vista-se totalmente de branco, uma vez que qualquer pessoa é livre para fazê-lo, além de ser o branco uma cor propícia para trabalhos de harmonização energética (o equivalente à cura no corpo físico). Porém, o terapeuta holístico evita fazê-lo para não ser confundido com um médico. Mas costuma preferir, para as suas sessões, usar roupas claras.
Para finalizar este tópico, é bom salientar que o corpo energético não apenas se encontra em íntima relação apenas com o corpo físico, mas também com a psique de cada um de nós. E que as terapias holísticas contribuem não apenas para a saúde física, mas também para a psíquica. Portanto, são métodos complementares não apenas para aqueles que se tratam com um médico, mas também para aqueles que se tratam com um psicólogo ou psiquiatra. Afinal, é objetivo das terapias holísticas favorecer a harmonia do ser humano como um todo, não apenas de parte dele. Mas novamente é bom enfatizar que terapeutas holísticos também não são substitutos de psicólogos ou psiquiatras, nem estão habilitados a praticar qualquer procedimento terapeutico que pertença à prática destes profissionais.
Com o que vimos, percebe-se claramente que não há motivo para animosidade entre terapeutas holísticos e médicos ou entre terapeutas holísticos e psicólogos ou psiquiatras. Ao contrário, todos podem se complementar e trabalhar em conjunto.
Felizmente, a tendência atual é a de que terapeutas holísticos passem a ser cada vez mais aceitos por profissionais da medicina e da psicologia. Há já alguns médicos que estudam e praticam terapias holísticas como complemento aos tratamentos médicos e um número considerável de terapeutas florais são psicólogos (terapia floral e psicologia casam-se maravilhosamente bem!). E já há também, inclusive aqui no Brasil, hospitais que contam com atendimento de Reiki em suas dependências (exemplo: Hospital Sírio-Libanês).
Sobre diagnósticos médicos e diagnósticos energéticos
Terapeuta holístico não faz diagnóstico médico. Mas pode utilizar-se dele para escolher o tratamento para o desequilíbrio energético correspondente à doença física do cliente.
Exemplo: se um médico diagnosticou que uma determinada pessoa sofre de cálculo renal, o terapeuta holístico escolherá um tratamento energético específico para o desequilíbrio energético correspondente a esta doença. Se for reikiano, aplicará Reiki impondo suas mãos sobre os rins ou outra área do corpo que se apresente à sua sensibilidade relacionada ao desequilíbrio; se cromoterapeuta, aplicará com uma lanterna cromoterápica a cor laranja no abdômen, um pouco acima do umbigo; se gemoterapeuta, utilizará pedras como o enxofre e a malaquita. Estes são apenas alguns exemplos de tratamentos possíveis. Há muitos outros a fim de se tratar do desequilíbrio energético correspondente ao cálculo renal.
Embora o terapeuta holístico não faça diagnóstico médico, pode realizar um diagnóstico energético. Nem sempre a relação entre a doença física e o desequilíbrio energético correspondente é óbvia ou direta. Por isso, para identificar desequilíbrios energéticos, muitos terapeutas holísticos adotam métodos próprios de diagnose energética. Os métodos variam de terapeuta para terapeuta e de caso para caso.
Alguns exemplos: "escanear" o corpo energético do cliente com as mãos, buscando identificar desequilíbrios e bloqueios (geralmente, relacionados aos chakras), fotos Kirlian e radiestesia, para ficarmos nos métodos mais freqüentes.
Novamente saliento que o diagnóstico energético complementa-se ao diagnóstico médico, mas em hipótese alguma o substitui.

Relação entre terapias holísticas e religião
Terapias holísticas não são formas de religião, nem são ligadas a religião alguma. Também não exigem o uso da fé para funcionarem, quer por parte do cliente, quer por parte do terapeuta. Não é preciso acreditar em nada. A experiência mostra que as terapias holísticas funcionam mesmo em clientes totalmente céticos. Porém, um terapeuta holístico pode, se o desejar, usar de imagens sagradas, orações e métodos correlatos para auxiliar no tratamento energético. As diversas formas de terapias holísticas não dependem delas para funcionarem, mas podem se valer delas como auxiliares. É comum em espaços de atendimento holístico haver nas paredes imagens de Mestres e símbolos que se pense auxiliarem na harmonização energética.
A importância destes métodos na terapia varia de terapeuta para terapeuta. Há desde terapeutas que lhes dão importância fundamental até os que não lhe não importância alguma. Número considerável de terapeutas holísticos encontra-se no meio termo.
Como as terapias holísticas não são ligadas a nenhuma religião, quando métodos religiosos/espirituais são utilizados como auxiliares, estes costumam ser o mais ecumênicos possíveis. Até mesmo em respeito ao cliente que pode ser de uma religião diferente à do terapeuta, ou não ter religião alguma (assim como o terapeuta pode também não ter).
Exemplo: se for realizada uma oração a Deus, dificilmente será recitado o Pai Nosso, que é uma oração estritamente cristã, enquanto que seria mais provável que fosse recitado algo como A Grande Invocação, oração a Deus de caráter ecumênico, escrita pela teósofa Annie Besant.
Terapeutas holísticos também não têm como procedimento padrão utilizar-se da prática da mediunidade. Porém, se o terapeuta for médium, pode acontecer de se valer dela, recebendo orientação do plano espiritual concernente ao tratamento do corpo energético. Ainda assim, a prática da incorporação não é praticada, dando-se preferência à comunicação telepática com o Astral, à clariaudiência, à clarividência etc. Exceções são os casos de alguns centros espíritas que mesclam os procedimentos tipicamente espíritas com os procedimentos das terapias holísticas.
Terapias holísticas, desenvolvimento pessoal e espiritualidade

É papel do terapeuta holístico conscientizar o cliente de que todos os seus desequilíbrios energéticos são da sua própria responsabilidade e são resultados dos seus próprios atos e postura na vida, que causam uma desarmonia entre a sua Personalidade e o seu Espírito (conforme nos diz o Dr.Edward Bach, criador da terapia floral, em seu livro "Cura-te a ti mesmo").
Deve conscientizá-lo a assumir essa responsabilidade a fim de transformar sua vida, de desenvolver-se integralmente (isto é, física, psicológica e espiritualmente), de tornar-se um ser humano pleno e realizado. Pois saúde, no seu sentido holístico, é ser um ser humano desenvolvido e em harmonia com seu eu profundo e com o cosmo.
Assim, o terapeuta holístico busca incentivar o cliente buscar valores evolutivos sob os quais viver e a praticar a introspecção, a fim de conhecer a si mesmo ("conhece-te a ti mesmo" pode ser considerado, neste sentido, a grande máxima da cura no sentido holístico).
Porém, o terapeuta holístico não é um conselheiro nem um psicólogo. Não analisa a vida psicológica do cliente, nem fornece conselhos taxativos sobre como ele deve viver a sua vida, pois tem ciência de que ninguém pode saber o que é melhor para o outro. Pode, sim, dar sua opinião sobre alguma questão que seja levantada durante as sessões (muitas terapias holísticas têm a propriedade de trazer para o consciente material psíquico oriundo do inconsciente). No entanto, a sua opinião deve ser dada menos como uma orientação de como viver a sua vida e mais como uma seta indicando o que o cliente deve buscar.
Terapeutas holísticos costumam ter a consciência de que cada um é responsável pela sua saúde e que a sua cura está sempre dentro de si mesmo. Assim, o terapeuta holístico (energético) não vê a si mesmo como um curador. Vê-se como um facilitador da cura, auxiliando o cliente a curar-se a si mesmo. Sabem que toda cura é, na realidade, uma auto-cura.
O terapeuta holístico sabe também que a melhor energia para harmonizar o corpo energético de uma pessoa é a do amor incondicional. Portanto, é papel do terapeuta holístico trabalhar, dia a dia, pelo seu próprio desenvolvimento espiritual, a fim de ser capaz de tal sentimento e realmente se importar pela recuperação de seus clientes, mesmo que sejam completos desconhecidos, à maneira dos antigos Terapeutas de Alexandria. O modo como irá se desenvolver espiritualmente é, entretanto, assunto de cada terapeuta.
Terapias holísticas e o cuidado com o corpo físico e a saúde mental
O fato de uma pessoa submeter-se a um tratamento energético não deve deixá-lo preguiçoso no que diz respeito aos cuidados com seu corpo físico. E é papel do terapeuta holístico conscientizar seus clientes disto. Deve incentivá-los a alimentar-se corretamente e praticar exercícios físicos regulares. Pode também ensiná-los técnicas simples de respiração profunda e relaxamento, a serem praticados quotidianamente, em casa. Mas seus conselhos não devem sair do âmbito do puro bom-senso. Quer dizer, não deve entrar em pormenores que apenas um médico, nutricionista, fisioterapeuta ou outro profissional da saúde pode entrar.
O terapeuta holístico também deve orientar o seu cliente a praticar a higiene mental, ensinando práticas simples de meditação, afirmações, concentração, visualização, oração (no caso do cliente ser religioso) etc. Deve ensinar como substituir emoções e pensamentos negativos por emoções e pensamentos positivos.
Terapias holísticas e estudo sério e aprofundado
Muitas das terapias holísticas são relativamente fáceis e rápidas de serem aprendidas. Porém, o terapeuta holístico não deve se iludir de que isto o livre de um estudo sério e aprofundado. Um terapeuta holístico competente tem consciência de que quanto mais conhecimento tiver sobre a(s) terapia(s) que utiliza, melhores serão as suas sessões de harmonização energética. Portanto, investe seu tempo e seu dinheiro em boa bibliografia, cursos de reciclagem, empenha-se em trocar conhecimentos e experiências com outros terapeutas, está atento para novas técnicas que surgem e novas pesquisas científicas a respeito das terapias holísticas. Enfim, como todo profissional de qualquer outra área de atuação, está em constante atualização e aperfeiçoamento.
O terapeuta holístico deve estudar não apenas a(s) terapia(s) de sua especialidade, mas também ter um conhecimento mínimo sobre o funcionamento do corpo humano e suas patologias, bem como um conhecimento mínimo de psicologia e do ser humano. Deve também ter uma boa cultura geral. Tudo isto o auxilia a ser um profissional competente, a ganhar respeito e confiança de seus clientes e a ser capaz de defender sua prática profissional do ataque de céticos ou pessoas agindo de má-fé. Todo amadorismo nas terapias holísticas deve ser combatido pelos próprios terapeutas holísticos. E a melhor forma de combatê-lo é investir do seu próprio conhecimento e compartilhá-lo com outros terapeutas.
A principal função do terapeuta holístico

Para finalizar este artigo, é preciso dizer a principal atribuição do terapeuta holístico, a mais importante entre todas as outras: acima de qualquer outra coisa, é papel do terapeuta holístico aplicar tudo o que foi dito acima na sua própria vida. Pois o terapeuta holístico está ciente de que apenas pode compreender o processo de harmonização aquele que já passou por ele. Consequentemente, que apenas quem curou a si mesmo pode servir de facilitador da cura dos seus semelhantes.

 

terça-feira, janeiro 29, 2013


 
 
DEPRESSÃO

 
Um humor deprimido, perda de interesse ou prazer são os sintomas básicos de depressão. o transtorno depressivo afeta 3% a 11% da população ao ano, exercendo considerável impacto econômico. Infelizmente permanece sem diagnóstico e sem tratamento em 30% a 50% dos casos.
A depressão está inclusa no Bloco do CID-10 de Transtornos de Humor. Nestes transtornos a perturbação fundamental é uma alteração do humor, usualmente para depressão (com ou sem ansiedade associada) ou elação. Essa alteração do humor é normalmente acompanhada por uma alteração no nível global de atividade e a maioria dos outros sintomas é secundária ou facilmente compreendida no contexto de tais alterações. A maioria desses transtornos tende a ser recorrente e o início dos episódios individuais é frequentemente relacionado com eventos ou situações estressantes. Os sintomas mais comumente percebidos partem tanto de alterações fisiológicas quanto de mudanças de estados emocionais e cognitivos.
 As pessoas, normalmente, experimentam uma ampla faixa de humores e têm repertório variado de expressões afetivas; elas sentem-se no controle, mais ou menos, de seus humores e afetos. Os transtornos de humor constituem um grupo de condições clínicas caracterizadas pela perda deste controle e de uma experiência subjetiva de grande sofrimento (Kaplan, Sadock, Grebb, 1997).
Os pacientes com humor elevado mostram expansividade, fuga de idéias, sono diminuído, auto-estima elevada, e idéias grandiosas. Os pacientes com humor deprimido têm perda de energia e interesse, sentimentos de culpa, dificuldades para concentrar-se, perda de apetite, pensamentos sobre morte e suicídio. Outros sinais e sintomas incluem alterações nos níveis de atividade, capacidades cognitivas, linguagem e funções vegetativas (sono, apetite, atividade sexual e outros ritmos biológicos). 
O termo transtorno, de acordo com a CID-10 é usado para indicar a existência de um conjunto de sintomas ou comportamentos clinicamente reconhecível associado a sofrimento e interferência com funções pessoais. Desvio ou conflito social sozinho, sem disfunção pessoal, não deve ser incluído em transtorno mental.
O Transtorno Depressivo Maior é um transtorno comum, com uma prevalência durante a vida de cerca de 15, talvez, até 25% em mulheres. O Transtorno Bipolar é menos comum que o Transtorno Depressivo Maior, com uma prevalência no período de vida de cerca de 1%, similar à esquizofrenia. Mas o curso do transtorno bipolar não é tão favorável quanto o de depressão; o custo do transtorno bipolar para os pacientes, suas famílias e a sociedade é significativo. Enquanto a maioria das pessoas com transtorno bipolar acaba recebendo atendimento médico e tratamento, cerca de metade apenas das pessoas com transtorno depressivo chega a receber tratamento específico. 
Independentemente do país ou cultura, a prevalência de transtorno depressivo unipolar é duas vezes maior no sexo feminino. As razões para tal fenômeno ainda são desconhecidos e podem, segundo Kaplan, Sadock, Grebb (1997), está relacionado a diversos estresses, parto, modelos comportamentais de aprendizado e efeitos hormonais. 
No transtorno bipolar a prevalência é igual para homens e mulheres.  
A idade de início para o transtorno bipolar varia da infância (5 ou 6 anos) aos 50 anos ou mesmo depois (em casos raros), com idade média de 30 anos. 
A idade média de início para o transtorno depressivo é de 40 anos (50% dos pacientes têm um início entre 20 e 50 anos).
História da Depressão
A depressão tem sido registrada desde a Antiguidade. A história do Rey Saul, no Antigo Testamento, descreve uma síndrome depressiva, assim como a história do suicídio de Ajax, na Ilíada, de Homero. Cerca de 400 a.C. Hipócrates usou os termos "mania" e "melancolia" para perturbações mentais. Por volta do ano 30, Aulus Comelius Celsus descreveu a melancolia em seu trabalho De re medicine como uma depressão causada pela bile negra. O termo continuou a ser utilizado por outros autores médicos, incluindo Arateus, Galeno e Alexandre de Talles, no século VI. O médico judeu, Moses Maimonides, no século XII, considerou a melancolia como uma entidade patológica distinta. Em 1685, Bonet descreveu uma doença mental à qual chamou de maníaco-melancholicus.  (Kaplan, Sadock, Grebb, 1997)
Em 1864, Jules Falret descreveu uma condição chamada de folie circulaire, na qual os pacientes experimentam humores alternados de depressão e mania. 
Emil Kraepelin, em 1899 descreveu uma psicose maníaco-depressiva que continha a maioria dos critérios usados atualmente pelos psiquiatras, para o estabelecimento do diagnóstico de Transtorno bipolar. 
EPISÓDIO DEPRESSIVO 
De acordo com o CID-10, no episódio depressivo o indivíduo sofre de perda de interesse e prazer e energia reduzida levando a uma fatigabilidade aumentada e atividade diminuída. Cansaço marcante após esforços leves é comum.  
- Concentração e atenção reduzidas;
- auto-estima e autoconfiança reduzidas;
- idéias de culpa e inutilidade;
- visões desoladas e pessimistas do futuro
- idéias ou atos autolesivos ou suicídio;
- sono perturbado;
- apetite diminuído.
Em alguns casos, ansiedade, angústia e agitação motora são mais proeminentes do que a depressão. A mudança do humor pode ser mascarada por irritabilidade, consumo excessivo de álcool, comportamento histriônico, exacerbação de sintomas fóbicos ou obsessivos preexistentes ou por preocupações hipocondríacas. Para o diagnóstico é requerida uma duração de pelo menos duas semanas, mas períodos mais curtos podem ser razoáveis se os sintomas são inicialmente graves e de início rápido (Cid-10, 1993).
De acordo com o CID-10 a presença de demência ou retardo mental não exclui o diagnóstico de um episódio depressivo tratável. 
A CID-10 considera as seguintes subcategorias para episódio depressivo: episódio depressivo leve; episódio depressivo moderado; episódio depressivo grave sem sintomas psicóticos; episódio depressivo grave com sintomas psicótico.         
Episódio depressivo leve  
Presença de humor deprimido, perda de interesse e prazer e fatigabilidade aumentada mais pelo menos dois dos outros sintomas. Nenhum dos sintomas deve estar presente em grau intenso. A duração mínima é de duas semanas. No episódio leve o indivíduo está usualmente angustiado pelos sintomas e tem alguma dificuldade em continuar com o trabalho do dia-a-dia e atividades sociais, mas provavelmente não irá parar suas funções completamente.
Episódio depressivo moderado
Devem estar presente dois ou três sintomas mais típicos; e pelo menos três (preferencialmente quatro) dos outros sintomas. Duração mínima de duas semanas. O indivíduo terá dificuldade considerável de continuar as atividades sociais, laborais ou domésticas.
Episódio depressivo sem sintomas psicóticos
Angústia ou agitação considerável. Perda de auto-estima ou sentimento de inutilidade ou culpa, provavelmente são proeminentes e o suicídio é um perigo marcante. Todos os três sintomas típicos devem estar presentes e mais pelo menos quatro outros sintomas (alguns de intensidade grave). É improvável que o paciente seja capaz de continuar suas atividades sociais, laborais ou domésticas, exceto em uma extensão muito limitada.
Episódio depressivo grave com sintomas psicóticos
Além dos critérios para episódio depressivo grave sem sintomas psicóticos há a presença de delírios, alucinações ou estupor depressivo. Os delírios envolvem idéias de pecado, pobreza ou desastres iminentes, pelos quais o paciente pode assumir a responsabilidade. Alucinações auditivas ou olfativas são usualmente de vozes difamatórias ou acusativas, ou de sujeira apodrecida ou carne em decomposição. Retardo psicomotor grave pode evoluir para estupor. Delírios e alucinações podem ser especificados como humor-congruente ou humor-incongruente.
Estupor depressivo deve ser diferenciado da esquizofrenia catatônica, do estupor dissociativo e das formas orgânicas de estupor. 
TRANSTORNO DEPRESSIVO RECORRENTE
Segundo a CID-10 são episódios repetidos de depressão, sem história de episódios independentes de elevação do humor e hiperatividade que preencham os critérios para mania. Contudo a categoria deve ainda ser mantida se há evidência de breves elevações do humor e hiperatividade leve, os quais preencham os critérios para hipomania, imediatamente após um episódio depressivo (às vezes aparentemente precipitado pelo tratamento de uma depressão). 
A CID-10 reconhece ainda as seguintes subcategorias para transtorno depressivo recorrente: transtorno depressivo recorrente, episódio atual leve; transtorno depressivo recorrente, episódio atual moderado; transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave sem sintomas psicóticos; transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave com sintomas psicóticos; transtorno depressivo recorrente, atualmente em remissão; outros transtornos depressivos recorrentes; transtorno depressivo recorrente, não especificado.
Características Clínicas da Depressão
Um humor deprimido, perda de interesse ou prazer são os sintomas básicos de depressão. Os pacientes descrevem como sendo de dor emocional lancinante. Alguns se queixam de serem incapazes de chorar. Cerca de 2/3 dos pacientes relata que pensa em se matar e 10 a 15% comete o suicídio. Entretanto os pacientes deprimidos, às vezes, parecem não estar conscientes da depressão e não se queixam de uma perturbação de humor, embora exibam retraimento da família, amigos e atividades que anteriormente lhe interessavam (Kaplan e Sadock, 1997).
Quase todos os pacientes queixam-se de uma diminuição da energia que resulta em dificuldade para terminar tarefas, comprometimento na escola e no trabalho e motivação diminuída para assumir novas tarefas.
Cerca de 80% dos pacientes queixam-se de problemas para dormirem, especialmente despertares nas primeiras horas da manhã e múltiplos despertares durante a noite, durante os quais rumina m sobre seus problemas. Muitos indivíduos têm perda de apetite e perda de peso. Alguns, porém, têm aumento do apetite, ganho de peso e maior sono. A ansiedade é um sintoma comum, afetando 90% dos indivíduos com depressão (Kaplan, Sadock, 1997).
As variadas mudanças no consumo alimentar e repouso podem agravar doenças médicas coexistentes, como diabetes, hipertensão, doença pulmonar obstrutiva crônica e cardiopatia. Outros sintomas incluem anormalidades menstruais e diminuição do interesse e desempenho sexual.
Os sintomas cognitivos incluem relatos subjetivos de incapacidade para concentrarem-se e comprometimento do pensamento.
Em crianças, fobia à escola e apego excessivo aos pais podem ser sintomas depressivos. Um baixo rendimento na escola, abuso de substâncias comportamento anti-social, promiscuidade sexual, faltas injustificadas à escola e fugas de casa podem ser sintomas de depressão em adolescentes (Kaplan, Sadock, 1997).
A depressão é mais comum em idosos do que na população geral. Pode estar correlacionada com baixa situação socioeconômica, perda do cônjuge, doença física concomitante e isolamento social. 
Kaplan e Sadock (1997) relatam que o retardo psicomotor generalizado é o sintoma mais comum, embora agitação psicomotora possa estar presente. A apresentação clássica de um paciente deprimido envolve uma postura curvada sem movimentos espontâneos e um olhar abatido e perdido. Quando exibem amplos sintomas de retardo psicomotor se assemelham à esquizofrenia catatônica. Muitas pessoas deprimidas apresentam uma redução da velocidade e intensidade da fala, respondendo com monossílabos, quando perguntados, e demorando em responder. Com freqüência ocorre concentração comprometida e esquecimento.
Têm risco aumentado de suicídio à medida que começam a melhorar e recuperar a energia necessária para executarem e planejarem um suicídio (suicídio paradoxal). Kaplan e Sadock (1997) dizem que um erro clínico comum consiste em prescrever a um paciente deprimido uma grande quantidade de antidepressivos (especialmente antidepressivos tricíclicos). 
Diagnóstico diferencial da depressão
Muitos transtornos médicos e neurológicos e agentes farmacológicos podem produzir sintomas de depressão. Muitos pacientes com transtorno depressivo procuram um clínico geral com queixas somáticas. 
A investigação deve incluir testes das funções da tireóide e da adrenal. Qualquer droga que o paciente esteja usando deve ser considerada como um fator potencial de transtorno do humor. Drogas cardíacas e agentes anti-hipertensivos, antiepilépticos, drogas antiparkinsonianas, analgésicos, antibacterianos e antineoplásicos, estão geralmente associados com sintomas depressivos. Os problemas neurológicos mais comuns que se manifestam com sintomas depressivos são: a doença de Parkinson, doenças causadoras de demência, epilepsia, doenças cérebro-vascular e tumores.
Referências:
depressao#ixzz2JMXRWES9
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domingo, janeiro 06, 2013

 
 
Para Manter seu Trabalho
 
Pirineus de Souza
“Quando a Depressão Ataca”
 
Em meio a outras colocações o assunto já foi abordado de maneira mais indireta, mas é primordial fazer-se a pergunta: o meu trabalho me interessa de fato? Não será ele a causa principal dos meus problemas? Poderei sobreviver sem ele? Uma reciclagem não seria interessante para mantê-lo? A procura de outra atividade não é mais aconselhável? Faça sua análise particular e com o seu terapeuta, o que possa estar prejudicando quem. O seu trabalho a você, ou você a ele? Se for você a causa, tente de toda forma se readequar a ele, pois como o desemprego e a competição dos dias de hoje são grandes, não podemos ignorar que no seu estado, só tenderá a levar desvantagens, relativamente àqueles que estão bem e no páreo.
Se nas perguntas iniciais você se conscientizou que não terá meios de sobrevivência sem o que faz e não tem outra opção para outro reinício, alie-se aos remédios e aos terapeutas.
Troque-os se necessário. Encare os fatos como possíveis e não como passíveis de seremresolvidos. No desempenho das suas tarefas, você lida com equipamentos que exigem atenção, ou agilidade na operação? O seu médico terá que saber para adequar a medicação a esse manuseio, ou mesmo afastá-lo, enquanto não tenha condições.
Observe-se, como está a sua destreza, a sua atenção, os seus reflexos, a produtividade. Escute as considerações que lhes sejam feitas, todos são indícios para não acontecerem fatos desagradáveis e não sendo possível você executar suas tarefas habituais, tente uma mudança temporária nos seus afazeres.
Afastamentos só devem acontecer em último caso e a volta ao que habitualmente você executa, só quando estiver apto. Evite ao máximo os pedidos constantes de licenças e nesse tempo, não use as folgas facultativas desnecessariamente.
Você poderá precisar delas mais à frente. Caso você ainda não fez uma autocrítica, outros podem fazê-la. Basta não valorizar a assiduidade, o desemprego, a cordialidade para com os colegas, e você sabe, a fila de interessados em sua vaga é imensa. Portanto, não despreze os detalhes que no final podem contar pontos.
Nem sempre somos ligados às Leis Trabalhistas, mas elas contêm nuances, detalhes que antes nos pareciam supérfluos. Mas, nesse momento, é indispensável que os valorizemos e os entendamos. Para isso, procure ler sobre o assunto e se informar, até onde vão os seus direitos. Informe-se de pormenores, entrelinhas, inclusive assegure-se deles. Faça consultas junto ao seu sindicato, a profissionais que entendam.
Por vezes vemos o chefe, o patrão como vilões, e nem sempre vamos estar em estado de autocriticar-nos e concluirmos pela nossa culpabilidade nos problemas com o trabalho. O dito popular, "a corda sempre arrebenta do lado do mais fraco" é verdadeiro. Compulsivamente, somos levados a tomar partido de nós mesmos, mas será que estamos certos? Não foi falha nossa?
Nesse sentido é bom sabermos junto aos nossos superiores como anda o nosso desempenho no serviço e reflita se é possível uma melhora, ou se estamos aquém dessa expectativa devido ao nosso estado.
Seus colegas por certo estão achando-o diferente, mas não têm idéia da sua turbulência interior. Não é necessário que o saibam, a não serem os mais íntimos. Hoje a medicina é capaz de ajudá-lo a camuflar os sintomas e mais uma vez repito, não estou pedindo ou induzindo você a mentir e sim, tanto quanto possível, omitir.
A tristeza por si só, talvez não lhe tenha causado sintomas aparentes e lhe seja difícil guardar só para você o que está se passando. Como a depressão é muito complexa e difícil de ser compreendida, os profissionais da medicina que no momento lhe tratam, não são vistos pela maioria como os mais recomendáveis. Se reserve. Sempre haverá alguém para tocar na ferida. Seja cauteloso em seus desabafos e em sua maneira de agir. O momento assim exige.
Se alguma das perguntas iniciais não puder ser respondida de imediato, não se apresse em fazê-lo. Deixe para quando os problemas estiverem sob controle. Também analise onde você se enquadra e quais as soluções a tomar. Observe se não está chegando atrasado ao seu trabalho. Se não está se ausentando com muita freqüência, ou mesmo saindo mais cedo. O dormir poderá estar sendo um canal de fuga, a ida ao bar da esquina. Aqui dou uma parada maior. Você não estará bebendo demais, e mesmo durante o horário de expediente? Mesmo que não esteja fazendo isso durante seu horário de trabalho, a sua ressaca não estará interferindo no seu humor, na sua capacidade de raciocínio? Responda para você mesmo: o álcool não pode estar servindo de válvula de escape?
Se for, reaja, procure ajuda, pois se você não se contiver, não só seu trabalho estará comprometido, mas todo o seu mundo, interior e exterior. Seja o álcool, remédios sem serem devidamente receitados, drogas, todos são inimigos do seu sustentáculo. Se por esses caminhos ocorrem as suas fugas, que seja apenas um deles, continuar realimentando-os significa uma derrota após outra em sua vida. A mistura de qualquer um desses vícios com antidepressivos pode ser fatal, sem contar nas seqüelas que podem provocar. Durante o seu tratamento nem o hábito de beber socialmente pode ser cultivado, tampouco a já famosa - primeira dose.
Olhe a sua volta, quantas pessoas não têm o privilégio de poder trabalhar como você. Não tiveram as oportunidades que você teve, não são preparadas profissionalmente como você, têm deficiências que as impossibilitam de exercer o que você executa. Agradeça a vida por assim ser, e procure os meios para que continue. Pode até parecer impossível, mas você terá que lutar com todas as suas forças e meios. Imagine: minha depressão vai passar e vou ter de continuar a trabalhar. Ela há de passar mais cedo ou mais tarde e seu trabalho continuará.
Portanto, não encoste, não o afaste antes do tempo certo ou devido. No capítulo “Ela Aposentou Você” literalmente, enfoquei situações em que as pessoas involuntariamente tiveram de se aposentarem, devido á depressão. Existem casos em que nem toda boa vontade do mundo conseguiu deter a marcha dos acontecimentos. Mas como foi tratado, nem tudo está perdido e para continuar a viver, sempre há de existir esperanças e sonhos.
Nunca tudo estará perdido. Mas esse não será o seu caso, você há de se superar e recorrerá a todos os meios ao seu alcance para se manter ocupado com o seu trabalho. Pense nessa possibilidade e vislumbre um futuro sombrio, a ociosidade, a falta do que fazer. Será bem pior de administrar. Talvez tenha que redobrar suas forças, a sua criatividade para um recomeça Incerto. Nada melhor que autocontrolar-se e manter o certo, o seguro e que você já sabe como fazer.
Com ajuda ou sem ela, você concluiu que o seu trabalho é o motivo real da sua depressão. Nada mais resta a fazer. Você não se sente bem, falta-lhe motivação, sente calafrios só de pensar no trabalho, é a angústia do seu existir. Pode ser uma conclusão camuflada, às vezes "os colegas" são os que mais o chateiam e você não pode afastá-los. Seja prático, peça transferência para outro local. Não fuja da realidade, que o problema é você e não os outros. Fale com seus terapeutas, encontre caminhos, paliativos, um meio termo para harmonizar o quadro. Caso todos eles falhem, não aja por impulso. Isso sempre, ou quase sempre, funciona. Se tudo estivesse bem com você, o seu espírito de luta, de autoperseverança poderiam lhe ajudar, mas não é esse seu caso. Agindo cautelosamente, você poderá manter seu trabalho até que se recicle, aprimorando-se em sua própria atividade ou em outra. Só que procurando acertar para que não venha no futuro, arrepender-se da escolha.
Errar é humano, mas perseverar no erro não é nada recomendável. Sendo a vida uma escola, olhe ao seu redor e encontrará muitos exemplos do que estamos falando.
Por você ter caído de cabeça no seu trabalho, esqueceu-se de avaliar suas condições físicas e psicológicas para executá-lo e dar continuidade a ele. O bom senso manda você ir mais devagar à consecução dos seus objetivos, ou até mesmo dar um tempo para que você volte à forma. Essa de que "o importante é agora" poderá estar sendo a causa da sua situação, no fundo do poço. E o futuro? Ninguém depende de você? Nesse seu futuro está seu trabalho? Sem ele como será a sua vida? Não será a falta de férias? Mas preste atenção, se você as gozou e alguma coisa ainda vai de mal a pior, será que realmente é o seu trabalho o problema? Se questione, se cobre uma resposta. O motivo pode ser outro bem diverso para a sua falta de motivação e tristeza.
Enfoquei os prós e os contras, devido aos casos em questão, tenderem a se manter enquanto não houver a superação ou aniquilação dos motivos que os ocasionaram. O seu trabalho não estará sendo afetado por causas externas, devido aos seus problemas afetivos, a sua situação financeira, a sua saúde física? Os motivos poderão advir deles e não do seu serviço. Só o culpe, quando afastadas todas as possibilidades. Ele não pode tornar-se bode expiatório, se é essencial para a sua sobrevivência.
Priorize seus valores, a solução dos problemas que o afetam, revitalize sua vontade de trabalhar, de produzir. Você pode ter 20 anos e se encontrar nessa situação, mas vale à pena abandonar o que você está fazendo? Pode não ser ele a causa.  Você pode ter 40, 50 anos, a situação é a mesma? Diria que sim, pois todos terão de recomeçar, nem sempre assertivamente. Daí, você pensa como a estrela do outro brilha e a sua não. Acontece. Nem perfeitos somos por natureza. É tudo uma questão temporária.  Depois, mais equilibrado, o brilho da sua voltará. Por isso repetimos, vá sempre em frente, nem que seja pelos lados.
Você já tem tempo de serviço suficiente para aposentar-se, mesmo assim racionalize. Não o faça enquanto não tiver outras perspectivas de atividades ocupacionais, coisa que já deveria ter feito, mas foi pego de surpresa pela angústia. Protele, até pressentir o que vai fazer, mesmo que o impossível aconteça: chegar à conclusão que não poderá fazer nada. Mas aí você terá todo o tempo do mundo para pensar e chegar as suas próprias conclusões.

 

 

 

sábado, dezembro 01, 2012

 
 
 
 
 
 
 
COMO   MANTER  SEU  TRABALHO
Pirineus de Souza
“Quando a Depressão Ataca”
Em meio a outras colocações o assunto já foi abordado de maneira mais indireta, mas é primordial fazer-se a pergunta: o meu trabalho me interessa de fato? Não será ele a causa principal dos meus problemas? Poderei sobreviver sem ele? Uma reciclagem não seria interessante para mantê-lo? A procura de uma outra atividade não é mais aconselhável?
Faça sua análise particular e com o seu terapeuta, quem estará prejudicando quem. O seu trabalho a você, ou você a ele? Se for você a causa, tente de toda forma se readequar a ele, pois como o desemprego e a competição dos dias de hoje são grandes, não podemos ignorar que no seu estado, só tenderá a levar desvantagens, relativamente àqueles que estão bem e no páreo.
Se nas perguntas iniciais você se conscientizou que não terá meios de sobrevivência sem o que faz e não tem outra opção para outro reinício, alie-se aos remédios e aos terapeutas. Troque-os se necessário. Encare os fatos como possíveis e não como passíveis de serem resolvidos.
No desempenho das suas tarefas, você lida com equipamentos que exigem atenção, ou agilidade na operação? O seu médico terá que saber para adequar a medicação a esse manuseio, ou mesmo afastá-lo, enquanto não tenha condições.
Observe-se, como está a sua destreza, a sua atenção, os seus reflexos, a produtividade. Escute as considerações que lhes sejam feitas, todos são indícios para não acontecerem fatos desagradáveis e não sendo possível você executar suas tarefas habituais, tente uma mudança temporária nos seus afazeres.
Afastamentos só devem acontecer em último caso e a volta ao que habitualmente você executa, só quando estiver apto. Evite ao máximo os pedidos constantes de licenças e nesse tempo, não use as folgas facultativas desnecessariamente. Você poderá precisar delas mais à frente. Caso você ainda não fez uma autocrítica, outros podem fazê-la. Basta não valorizar a assiduidade, o desemprego, a cordialidade para com os colegas, e você sabem, a fila de interessados em sua vaga é imensa.
Portanto, não despreze os detalhes que no final podem contar pontos.
Nem sempre somos ligados às Leis Trabalhistas, mas elas contém nuances, detalhes que antes nos pareciam supérfluos.
Mas, nesse momento, é indispensável que os valorizemos e os entendamos. Para isso, procure ler sobre o assunto e se informar, até onde vão os seus direitos. Informe-se de pormenores, entrelinhas, inclusive assegure-se deles. Faça consultas junto ao seu sindicato, a profissionais que entendam.
Por vezes vemos o chefe, o patrão como vilões, e nem sempre vamos estar em estado de autocriticar-nos e concluirmos pela nossa culpabilidade nos problemas com o trabalho. O dito popular, "a corda sempre arrebenta do lado do mais fraco" é verdadeiro. Compulsivamente, somos levados a tomar partido de nós mesmos, mas será que estamos certos? Não foi falha nossa?
Nesse sentido é bom sabermos junto aos nossos superiores como anda o nosso desempenho no serviço e reflita se é possível uma melhora, ou se estamos aquém dessa expectativa devido ao nosso estado.
Seus colegas por certo estão achando-o diferente, mas não têm idéia da sua turbulência interior. Não é necessário que o saibam, a não ser os mais íntimos. Hoje a medicina é capaz de ajudá-lo a camuflar os sintomas e mais uma vez repito, não estou pedindo ou induzindo você a mentir e sim, tanto quanto possível, omitir.
A tristeza por si só, talvez não lhe tenha causado sintomas aparentes e lhe seja difícil guardar só para você o que está se passando. Como a depressão é muito complexa e difícil de ser compreendida, os profissionais da medicina que no momento lhe tratam, não são vistos pela maioria como os mais recomendáveis. Se reserve. Sempre haverá alguém para tocar na ferida. Seja cauteloso em seus desabafos e em sua maneira de agir. O momento assim exige. Se alguma das perguntas iniciais não puder ser respondida de imediato, não se apresse em fazê-lo. Deixe para quando os problemas estiverem sob controle. Também analise onde você se enquadra e quais as soluções a tomar.  
Observe se não está chegando atrasado ao seu trabalho. Se não está se ausentando com muita freqüência, ou mesmo saindo mais cedo. O dormir poderá estar sendo um canal de fuga, a ida ao bar da esquina... Aqui dou uma parada maior. Você não estará bebendo demais, e mesmo durante o horário de expediente? Mesmo que não esteja fazendo isso durante seu horário de trabalho, a sua ressaca não estará interferindo no seu humor, na sua capacidade de raciocínio? Responda para você mesmo: o álcool não pode estar servindo de válvula de escape?
Se for, reaja, procure ajuda, pois se você não se contiver, não só seu trabalho estará comprometido, mas todo o seu mundo, interior e exterior. Seja o álcool, remédios sem serem devidamente receitados, drogas, todos são inimigos do seu sustentáculo. Se por esses caminhos ocorrem as suas fugas, que seja apenas um deles, continuar realimentando-os significa uma derrota após outra em sua vida. A mistura de qualquer um desses vícios com antidepressivos pode ser fatal, sem contar nas seqüelas que podem provocar. Durante o seu tratamento nem o hábito de beber socialmente pode ser cultivado, tampouco a já famosa primeira dose. Olhe a sua volta, quantas pessoas não têm o privilégio de poder trabalhar como você. Não tiveram as oportunidades que você teve, não são preparadas profissionalmente como você, têm deficiências que as impossibilitam de exercer o que você executa. Agradeça a vida por assim ser, e procure os meios para que continue. Pode até parecer impossível, mas você terá que lutar com todas as suas forças e meios. Mentalize: minha depressão vai passar e vou ter de continuar a trabalhar. Ela há de passar mais cedo ou mais tarde e seu trabalho continuará.
Portanto, não encoste, não o afaste antes do tempo certo ou devido.
No capítulo “Ela Aposentou Você” literalmente, enfoquei situações em que as pessoas involuntariamente tiveram de se aposentarem, devido á depressão. Existem casos em que nem toda boa vontade do mundo conseguiu deter a marcha dos acontecimentos. Mas como foi tratado, nem tudo está perdido e para continuar a viver, sempre há de existir esperanças e sonhos.
Nunca tudo estará perdido. Mas esse não será o seu caso, você há de se superar e recorrerá a todos os meios ao seu alcance para se manter ocupado com o seu trabalho. Pense nessa possibilidade e vislumbre um futuro sombrio, a ociosidade, a falta do que fazer. Será bem pior de administrar. Talvez tenha que redobrar suas forças, a sua criatividade para um recomeço incerto. Nada melhor que autocontrolar-se e manter o certo, o seguro e que você já sabe como fazer.
Com ajuda ou sem ela, você concluiu que o seu trabalho é o motivo real da sua depressão. Nada mais resta a fazer. Você não se sente bem, falta-lhe motivação, sente calafrios só de pensar no trabalho, é a angústia do seu existir. Pode ser uma conclusão camuflada, às vezes "os colegas" são os que mais o chateiam e você não pode afastá-los. Seja prático, peça transferência para outro local. Não fuja da realidade, que o problema é você e não os outros. Fale com seus terapeutas, encontre caminhos, paliativos, um meio termo para harmonizar o quadro. Caso todos eles falhem, não aja por impulso. Isso sempre, ou quase sempre, funciona. Se tudo estivesse bem com você, o seu espírito de luta, de autoperseverança poderiam lhe ajudar, mas não é esse seu caso. Agindo cautelosamente, você poderá manter seu trabalho até que se recicle, aprimorando-se em sua própria atividade ou em outra. Só que procurando acertar para que não venha no futuro, arrepender-se da escolha.
Errar é humano, mas perseverar no erro não é nada recomendável. Sendo a vida uma escola, olhe ao seu redor e encontrará muitos exemplos do que estamos falando.
Por você ter caído de cabeça no seu trabalho, esqueceu-se de avaliar suas condições físicas e psicológicas para executá-lo e dar continuidade a ele. O bom senso manda você ir mais devagar à consecução dos seus objetivos, ou até mesmo dar um tempo para que você volte à forma. Essa de que "o importante é agora" poderá estar sendo a causa da sua situação, no fundo do poço. E o futuro? Ninguém depende de você? Nesse seu futuro está seu trabalho? Sem ele como será a sua vida? Não será a falta de férias? Mas preste atenção, se você as gozou e alguma coisa ainda vai de mal a pior, será que realmente é o seu trabalho o problema? Se questione, se cobre uma resposta. O motivo pode ser outro bem diverso para a sua falta de motivação e tristeza.
Enfoquei os prós e os contras, devido aos casos em questão, tenderem a se manter enquanto não houver a superação ou aniquilação dos motivos que os ocasionaram.
O seu trabalho não estará sendo afetado por causas externas, devido aos seus problemas afetivos, a sua situação financeira, a sua saúde física? Os motivos poderão advir deles e não do seu serviço. Só o culpe, quando afastadas todas as possibilidades. Ele não pode tornar-se bode expiatório, se é essencial para a sua sobrevivência.
Priorize seus valores, a solução dos problemas que o afetam, revitalize sua vontade de trabalhar, de produzir. Você pode ter 20 anos e se encontrar nessa situação, mas vale à pena abandonar o que você está fazendo? Pode não ser ele a causa.
Você pode ter 40, 50 anos, a situação é a mesma? Diria que sim, pois todos terão de recomeçar, nem sempre assertivamente. Daí, você pensa como a estrela do outro brilha e a sua não. Acontece. Nem perfeitos somos por natureza. É tudo uma questão temporária.  Depois, mais equilibrado, o brilho da sua voltará. Por isso repetimos, vá sempre em frente, nem que seja pelos lados.
Você já tem tempo de serviço suficiente para aposentar-se, mesmo assim racionalize. Não o faça enquanto não tiver outras perspectivas de atividades ocupacionais, coisa que já deveria ter feito, mas foi pego de surpresa pela angústia. Protele, até pressentir o que vai fazer, mesmo que o impossível aconteça: chegar à conclusão que não poderá fazer nada. Mas aí você terá todo o tempo do mundo para pensar e chegar as suas próprias conclusões.