Técnicas de Psicoterapia Holística,
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sábado, setembro 01, 2012

DEPRESSÃO


 
 
 
 
 
 
 
 
 
As Internações

 Pirineus de Souza
"Quando a Deprssão Ataca"
 
Os pacientes tratados em suas residências tendem a apresentar melhores resultados que aqueles tratados em clínicas, pois o aconchego do lar é mais salutar. Mas digamos que nessa sua jornada, algum motivo o levou a uma clínica. Seja ela qual for não se trata de um clube (principalmente de lazer) e não é agradável; muito pelo contrário. E se essa clínica for de repouso, você se defrontará com casos de dementes mentais. São seres humanos fora da realidade. Sua cabeça está a mil com as palavras desconexas que ouve, com os gritos e a visão de comportamentos atípicos. Se estiver lá para uma sonoterapia vá lá, mas por outros motivos, há de presenciar cenas que por certo o marcarão muito e poderão servi-lhe de alerta. É nesse ponto que cobramos a sua auto-análise e crítica. Muitos que assim estão não encontraram a saída e enveredaram por outros meandros de doenças mentais. Foi à entrega para as drogas, o alcoolismo, ou outras formas alternativas encontradas para se livrar da tristeza. Uma coisa puxa a outra, que você vê nos olhares, nas expressões, ou na fúria pela falta de controle.
Se a falta de apetite debilitou-o a ponto de chegar a uma internação, você poderá conviver, mesmo que em um hospital comum, com outras doenças. E querendo ou não, irá se deparar com quadros deprimentes, que em nada contribuirão com a sua melhora.
Abordei em outro capítulo, as doenças oportunistas que atacam a pessoa depressiva, inclusive as fatais. Já pensou estar em um hospital convivendo com elas? 
Poderia descrever inúmeras oportunidades de situações a que seu caso pode chegar. É preciso, ainda que me torne repetitivo, atinar para a recuperação da sua auto-estima, cuidar-se tanto mental como fisicamente, se autopreservar para não incorrer ou reincidir em internações. São situações extremadas, mas que infelizmente ocorrem.
Para a guerra aqui tratada, todas as armas são válidas. Usem-as todas, inclusive a principal, o amor próprio, pois sem ele, o seu arsenal estará fraco e as demais não surtirão o efeito desejado.
 
 

sábado, agosto 04, 2012







SOLIDÃO

Pirineus de Souza
“Quando a Depressão Ataca”


Sua rotina diária foi quebrada por algum motivo, e não foi para melhor. Tudo o que você faz passa a não ter sentido. Seu  humor  está  entre  altos  e baixos; você magoa  desnecessariamente  aqueles  que  o  cercam, e  eles estão se afastando. É quando constata que está só e com todos os seus problemões. É tudo uma questão lógica.
Questione-se: você está se amando? Procura ajudar-se e ser ajudado? Está procurando resolver seus problemas? Até que ponto você está colaborando, não só com o seu terapeuta como com as demais ajudas? Ao se fechar em copas, a tendência do quadro é piorar. Se trancar em casa está sendo a solução?
Afastar os amigos o faz mais feliz? Insistir em fazer alguma coisa está indo adiante? Se você não estiver fazendo nada disso, provavelmente estará só consigo mesmo. Estará sendo o seu próprio asilo. Vale à pena? Evidente que não.
Positive a mente e as ações, lembre-se de compartilhar sua vida, pois você não está só no mundo. Procure ensinamentos e beleza nos pequenos detalhes que antes não via, nesses momentos em que está a só consigo mesmo.
Evite a falta de diálogo pelo afastamento dos meios de comunicação, para não lhe faltar assuntos atualizados. Procure antenar-se. A Internet é ultra-interessante, mas poderá aliená-lo ainda mais. Navegar é preciso, mas exige cautela.
Com a sua força de vontade, essa solidão haverá de ser passageira, vale a pena positivar-se. Como não há nada como um dia após o outro, faça do seu dia seguinte, algo mais participativo, caso não esteja se sentindo bem sozinho.
Existem muitos trabalhos comunitários; atividades que não constavam de seus planos e que agora poderão ajudá-lo a se sentir útil e ao mesmo tempo, torná-lo menos só.
Com tudo isso é passível de acometer o depressivo e, se seu caso chegar a afastá-lo de suas atividades habituais, as saídas apontadas o ajudarão a preencher o seu tempo, até voltar a estar apto para o seu dia a dia.
Torna-se controvertido quando por vezes alertamos: afaste-se de outros depressivos, ou pessoas predominantemente negativistas. Depois, recomendamos essa aproximação para sua auto-avaliação, para que compare com o seu próprio estado depressivo; ninguém melhor para fazê-lo. Outras vezes, a recomendação é que se aproxime só de pessoas de alto-astral, para que se beneficie dos seus fluídos positivos. Tudo serve como parâmetro. Seu estado de saúde mental, e seu humor, constituídos de altos e baixos, são os motivos dessa simbiose proposta. É a aproximação com o que se julga normal e com situações extremadas. Sua auto-análise, a distribuição dos problemas e soluções devem ser alojadas nos compartimentos adequados do seu cérebro. E seu amor próprio, mais do que aqueles que o cercam, será o pêndulo, o fiel da sua balança para a volta do equilíbrio.
A ciência médica está do seu lado, mas para o seu estado de angústia parece lenta. O milagre acontece com o casamento desses recursos, com a sua força de vontade.
Procure não se sentir e/ou ficar só. Essa solidão há de ser passageira, a não ser que dela tenha gostado - muitos assim o fazem. Mas se não for esse seu caso, recorde-se dos seus relacionamentos pessoais. Como eram curtidos os seus finais de semanas, suas férias, suas reuniões de amigos. Tudo isso há de voltar a ser como antes. Pode parecer agora, sobre-humano exigir isso de você, que está tão desinteressado por tudo. Mas, acredite, ela essencialmente está em sua vontade de vencer. Sobreponha-se aos seus temores de aproximações interpessoais; separe o que lhe parecer bom. Errar é humano, e sempre temos que insistir em buscar saídas não ilusórias. E ainda que débeis lhe pareçam, podem se tornar consistentes.
Ficar olhando para o teto não é a solução. A sua tristeza está aí, presente mais do que nunca, mas a sua volta, o mundo vibra. Sinta isto e saia da casca de ovo em que se meteu, procure participar.
Antes você chorava por qualquer motivo, com ou sem ele, mas os remédios devem estar colaborando e ajudando-o a controlar-se. Então, deixe essas lágrimas para outros momentos.
As suas angústias do agora exigem outros procedimentos. Você está precisando dos olhos límpidos e secos para enxergar melhor o que a vida pode lhe oferecer.
Estou à procura de um antídoto para a sua solidão e diversos caminhos já percorri.
Na peça –" Entre Oito Paredes”, de Maurício Witczar, o canal de conversação entre duas pessoas foi aberto através do telefone, que servia para preencher suas solidões. Ele funciona como lente de aumento do ser humano. É muito utilizado para sair do encarceramento urbano tecnológico, aprisionado que está dentro de suas fantasias, ou melhor, de si mesmo.
O aparelho está a seu alcance, mas pondere para utilizá-lo.
Do outro lado da linha estão pessoas preocupadas com seus próprios afazeres, mesmo seu terapeuta.
A tendência normal de quem se sente só, é procurar alguém que, se não o entende, pelo menos o escute. Contudo, autocensure-se: não fique ligando a torto e a direito. Espere que as pessoas interessadas em você o façam. A sua insônia, a sua inatividade não pode servir de arma para quem assim não se encontra. É necessário respeitar a privacidade dos outros.
Você se sente só. Mesmo em meio a uma multidão, não está nem aí para o que está acontecendo. Ficar só ou rodeado de pessoas não resolve o seu estado de espírito. O meio para se livrar do isolamento, só você e mais ninguém será capaz de encontrar. No máximo, alguém poderá sugerir algo que ainda não lhe tenha passado pela cabeça. A vontade é sua; quem sabe se trabalhar mais seja a saída? Pelo menos você estará fazendo alguma coisa produtiva.
Situações assim somente serão compreendidas por aqueles que de fato estão com seus espíritos realmente tristes.
As fugas de situações, por mais simples que sejam, são as tendências naturais para o depressivo e ficar solitário é uma delas. Dormir também é muito usual, esquecendo-se que ao acordar estará tudo igual, e nada foi feito para sanear os obstáculos. Estes que só serão solucionados se tomadas às providências - de iniciativa própria ou sugeridas - para cada caso.
Sua solidão há de ser passageira, nada mais é que uma companheira da tristeza, das horas difíceis. Com sua autodeterminação, ela passará a fazer parte de um tempo, de uma página virada. E uma vez reintegrado na sua convivência normal, você há de esquecê-la.

sábado, julho 07, 2012







Os Iguais se Atraem

Pirineus de Sousa
Quando a Depressão Ataca

Em seu viver, aconteceu de você conhecer outras pessoas depressivas. Afinal, ninguém melhor para entender um depressivo que você, uma aproximação senão de iguais, pelo menos de parecidos, em momentos especiais. Ouviram-se, tentaram se aconselhar mutuamente e procuraram tirar lições disso tudo. Mas nem sempre é assim, você pode levar a pior.
Não se pode esperar que você absorva toda uma carga negativa de alguém que em outra circunstância, poderia receber de você toda a sua atenção e ajuda. Mas seu momento também é especial e tanto quanto para o outro, existe a sua carência. Mantenha-se eqüidistante, não por egoísmo, mas por amor próprio. Os especialistas da área se preparam por anos a fio, aprendendo a construir barreiras em torno de si mesmos, para tratarem com os seus problemas e de seus semelhantes. Eles foram treinados para ficar imunes, para ajudar os seus pacientes e você não tem esse escudo. Sendo necessária essa convivência, da sua parte ou da outra, mesmo porque quando escolhemos amigos, devemos estar preparados para aceitá-los como eles são. O importante é que em seus contatos você se poupe. Use da franqueza, quando sentir que não está apto ou disposto a compartilhar de problemas. Não há necessidade de ser grosseiro. Aja com naturalidade, ninguém é perfeito e todos estão sujeitos as pressões externas.
Procurando se fortalecer, você estará apto a ajudar essas pessoas que ainda não conseguiram superar as crises.
Nem todos tiveram a coragem de procurar especialistas para expor seus problemas como você. Aborde a questão, explicando que o primeiro passo é procurar alguém capacitado para ajudá-lo. Os papos nas seções de grupo são muito profícuos e interessantes, tudo porque têm a devida orientação. Mas entre leigos, a coisa pode não ser positiva para ambas as partes. Nesse estado de incertezas, o melhor é termos exemplos construtivos, vivenciados positivamente e abordados de forma tal que só tragam benefícios.
As oportunidades para essas aproximações não haverão de faltar. Mude de posição com a outra pessoa até aqui tratada, a recíproca é verdadeira. Ela correrá os mesmos riscos, e ambos devem conversar, mas com quem tenha, como já dissemos, estrutura e preparação para tal. Quem está vendo a cara não está vendo os sentimentos. Até médicos de outras especialidades podem ser pessoas não indicadas para ouvi-lo. O que um ortopedista, um gastro, ou outra especialização não voltada para a saúde mental, poderão fazer em seu caso, a não ser que deles precise para os tratamentos para os quais são indicados?
Na sua fragilidade, a tendência é emprestar seus ombros mais que o necessário e justo, nesse momento em que precisa estar alerta para vislumbrar uma réstia de luz no fim do túnel.
Fica suscetível de se envolver com os problemas alheios, daqueles que necessitam tanto quanto você de ajuda. Mas, antes de se dar, ponha-se em primeiro lugar. Dos embates da vida ninguém está livre. Seja o seu próprio exemplo. Ninguém é dono do mundo, e desde o seu princípio, com certeza, eles existiram e não será você a resolvê-los todos.
A insistência na sua preservação é porque você tem que fazer as pazes com a vida. Ela tem que continuar e para isso, há a necessidade de se aplicar a lei da sobrevivência, perceptível nos animais mais primários, daí...
Nunca é tarde lembrar que você está nesse grupo provisoriamente, não definitivamente. Você ficará nele dependendo da sua força para lutar. No caso, querer tem que ser poder, sem meias medidas.
O amigo com quem você não quis, talvez momentaneamente, compartilhar das tristezas, amanhã também já estará fora das amarras depressivas e assim, poderá saudavelmente, desfrutar de um convívio construtivo e alegre.
Daí ter colocado sobre a ponderação, o doseamento nos colóquios, o não cair de ponta-cabeça nos problemas alheios.
Espere por dias melhores e não tenha a consciência pesada elas suas atitudes. A troca de informações, confidências, experiências se necessárias, que ocorram em níveis não angustiantes.
A seguir, minhas colocações poderão parecer infantis, mas
constituem saídas que parecerão supérfluas, fricotes. Para não serem confundidos com um doente mental, pequenos animais poderão ser ótimas companhias. Servem para ser acariciados, para conversar, distraí-lo. Até um bichinho inanimado poderá ser seu confidente. Adote plantas. Desenvolva seu lado criativo nas artes, na mecânica, seja o faz-de-tudo em sua casa. Converse consigo mesmo, só mentalmente, para não se expor. Se mesmo as pessoas da sua convivência diária estão lhe achando estranho, o que dizer delas ouvindo-o falar sozinho? E os demais, o que pensarão?
Quando se fizer a luz, esses pequenos detalhes lhe serão muito caros. Concientize-se de suas fragilidades. Foram como flores viçosas, presentes, mas murcharam e morreram antes de você. Ficarão na sua lembrança que um dia eles lhe foram muito úteis.
Tenha em mente que é preferível às vezes dizer NÃO, quando seu coração pede para dizer SIM.

sábado, junho 09, 2012


Fugas

Pirineus de Sousa
Quando a Depressão Ataca


Nunca estaremos preparados para enfrentar o fato mais certo da vida, que é a morte. Se não a concebemos em sã consciência, nem para nós, o que diremos dos nossos entes queridos? Ninguém nunca encontrou o remédio da conformação para com ela.
Mesmo que a formação religiosa nos mostre caminhos, a tristeza pela partida não pode ser mensurável, e o medo da nossa própria, sempre estará nos rondando.
Abordei esse assunto também no capítulo auto-estima, mas no quadro depressivo a morte faz parte do todo, pela angústia, a tristeza, a solidão, as fugas; em todas, ela se faz presente. É comum neste estado, notadamente nas fases de baixa autoestima, os pensamentos recorrentes de morte. É o dormir e não acordar mais, é a vontade de preferi-la a continuar assim, é sentir-se tão sem lenitivo para viver que se torna inevitável ela ão estar rondando, independentemente da forma. Provocada ou que venha, nem que seja pela doença, ou naturalmente. Mas em situações de equilíbrio emocional, ela nos apavora, seja para os outros, ou para nós mesmos.
Para o cristianismo, a vida prossegue depois da morte. Para outros, morrer já é glorificante e mesmo para aqueles para os quais ela encerra o fim em si mesma, também, humanamente, sentem quando ela visita aos que lhes são caros. Morrer significa ausência, e ela dói. Quando você a quer para si, deixou de pensar naqueles que o rodeiam. Como ficarão? E aqueles que dependem de você? Aos demais, você parecerá egoísta, egocêntrico. Pare e olhe a natureza. Ela resignadamente, naturalmente, vive seu ciclo vital. Por que o homem irá quebrar este estado de coisas? Por que se acovardar e não viver até morrer? A sua falta, com certeza irá causar mais danos que soluções. Ou em meio a seus problemas não tem algum tempo para essa reflexão? Antes que ocorra uma fatalidade, dê-se esse espaço. Caso não consiga raciocinar consigo próprio, procure ajuda, mas não deixe a situação à deriva, policie-se. Ela, a tristeza na qual se encontra, não se compara com os danos que poderão advir por um gesto tresloucado. Analise seus méritos, dê-se o devido valor. Você apenas não está bem, passageiramente. Olhe para frente, no fim do túnel escuro, há de surgir uma nesga de luz e você descobrirá que valeu a pena esperar. Deixe o imediatismo de lado, meça as conseqüências, coloque-se no lugar de quem perdeu alguém que lhe seja caro. A recíproca é verdadeira. Já li que para suicidas em potencial, não existem meios de prevenção, e não concordo, pois a depressão constitui-se de altos e baixos, não tem um comportamento padrão. Nela existem os momentos de calmaria, necessários para que o paciente faça uma auto-análise e conclua qual será o desfecho.
Ditos populares aplicam-se perfeitamente no nosso assunto, pois fazem parte do nosso dia a dia, "Não há nada como um dia após o outro". Se amanhã não for melhor, por certo, outro lá na frente o será. Não vale a pena esperar? Dizem: que quando a situação está péssima, não tem mais como piorar. Então, as coisas só tenderão a melhorar. Devido ao seu estado emocional estar relativo, em moentos você quer morrer seja de que forma for, por outros, entra em pânico só de pensar na possibilidade. Assim, a situação se inverte, é o medo de dormir de vez; é sentir faltar-lhe a respiração, enfim constitui-se em uma angústia só. A possibilidade da morte torna-se fobia, é o paradoxo que não deve existir, pois a vida não deve ser questionada, não deve ter seu ciclo alterado. Copiemos a natureza.
As doenças oportunistas podem acometer o depressivo, devido a sua fragilidade mental e física, e o seu sistema imunológico estar também debilitado, podendo ser acometido de doenças realmente graves. Veja os hospitais e quantos neles encontram-se em busca da cura. Como já disse, devemos acompanhar a maioria, pois alguma razão há de existir para que eles a constituam. Lutar para que vivamos até o fim, observar a bravura de quem lutou. Não é mais salutar que a covardia de quem se entrega?
Pessoas abaladas em sua auto-estima podem descobrir que o banal de antes é o tormento do momento. Descobrir que está velho, acabado. Seu antigo poder de sedução não funciona mais e sexualmente está arrasado. Podem no conjunto, ou uma em especial, tornar-se, fatores para levar à depressão, com a conseqüente vontade de morrer. Se assim for, analise o porque da situação. Assuma o problema e ao invés de ficar se lastimando, remoendo-o, lembre-se dos avanços da medicina de hoje. Você poderá estar sofrendo por algo que a modernidade já tem condição de resolver. A sua poderá estar numa simples pílula. Sua vida não vale muito mais?
Pela morbidez do assunto, você preferiria deixá-lo de lado, o que não pode fazer, porque em algum momento, o depressivo pensará nele. Afinal, os seus tormentos, mesmo que imperceptíveis para os outros, são reais, tanto como a morte e a vida os são. Opte pela última e não se arrependerá. Sei ser o tópico abordado sério e mórbido, mas se acontecer, é melhor você admitir que a sua história poderá ser abreviada com a morte e deixará de ter os acréscimos que a vida poderá ainda lhe oferecer se você viver. E que ela poderá ser longa e com um final feliz. Feliz, porque seguiu o curso natural, e como costumeiramente faz, deixe que o inevitável chegue de surpresa, sem sustos, sem sobressaltos.
Pense na grandeza e compare: um grão que não vingue, já terá cumprido a sua missão. Imagine você, um ser tão complexo, tão superior.
Vamos e voltamos, as situações são diversas, a fragilidade do "eu" nos obriga a isso. O depressivo pode radicalizar e a morte é preferível. A forma mais antinatural, o oposto da lei da sobrevivência, a fuga dos problemas que nos afligem. Isto porque eles se tornam maiores do que nós mesmos, maiores que a nossa capacidade de resolvê-los. É preciso chegar o momento de compreendermos, que o nosso morrer começa com o nosso nascimento, e isso já é natural, porque apressar? Não é preferível vivermos mais devagar, do que morrer muito? Isso serve tanto na acepção das palavras, quanto para os nossos sentimentos com relação às nossas correrias, as nossas carências, ao apego a coisas que superestimamos e que quanto mais vivermos, mais morreremos. Compare a morte a um carro: ele tem diversas marchas à frente, mas a ré é uma só. É a lógica da vida, com muitos caminhos a nossa frente, maiores possibilidades. Por maior que seja o problema, sempre haveremos de encontrar uma solução; para a morte não. Ela é definitiva. Devemos enfrentar os desafios e em último caso, é preferível agir como disse uma socialite, "Sou um sucesso porque nunca me levei a sério."
No trem dos vivos, que vivem, procure não contabilizar somente os problemas. Atenha-se também às alegrias, pois a sua balança precisa desse equilíbrio.
Dependendo da rigidez da formação de cada um, os problemas são barreiras mais ou menos flexíveis. É muito mais honroso enfrentar qualquer que seja a barra, seja ela qual for e as maneiras de resolvê-la, que submeter-se à covardia de sair pelo auto-extermínio. Como sair pelo alcoolismo. É válido? Claro que não. Mas no alcoolismo você poderá safar-se, existe como já disse até pílula. É também uma doença grave, inconseqüente, imprevisível e que poderá agravar ainda mais o seu quadro depressivo. Apesar de tudo, dele você pode sair, existem diversas formas e ainda terá a chance de manter-se vivo. Mas, se você morrer, irá ressuscitar? São paradoxos que nenhum tiro no ouvido, resolverá satisfatoriamente.
Os casos extremados que apresento, visam tão somente estabelecer parâmetros entre o seu estado e o de outras pessoas que estejam vivenciando situações piores ou iguais às suas, e daquelas que aparentemente, ou verdadeiramente estão de bem com a vida.
A sua depressão veio para acompanhar uma doença incurável. O seu sofrimento é terrível, nada mais resta a não ser a morte. Quantos estados assim não presenciamos? Você não acredita em milagres, prefere a eutanásia. Você poderá deixar um exemplo de coragem se em vez de adotar esses caminhos, enfrentar a doença até o seu momento final, com muita dignidade e coragem. Outros poderão seguir o seu exemplo e mesmo que o milagre não lhe tenha sido concedido, você terá marcado pontos. O mundo terá ficado menos triste com a sua partida. Afinal você teve a coragem de lutar.
Para escapar da dura realidade, a maneira mais fácil de acabar com problemas, sofrimentos, angústias, dores, fobias, manias, pânicos é procurar alternativas, pois já não acreditamos nos médicos. Os tóxicos são um deles, e pode com probabilidade de até 100% torná-lo um dependente químico. Mas, aí incluo outros, tais como: o alcoolismo, o tabagismo, a automedicação, diminuindo ou aumentando a sua dosagem. Não serão com esses recursos que o depressivo encontrará a solução. Muito pelo contrário, ao adotá-lo estará se aprofundando, mais e cada vez mais, na dependência e ás conseqüências que certamente advirão. Todos proporcionam momentos fugazes de euforia, e alegria . E a vida não é tão breve assim. Lá fora ela continua, e você terá que voltar. As seqüelas que provocam valem à pena?
Claro que não. E ainda complicarão o seu processo de recuperação, em muitos casos, se ainda for possível. Pode ser uma ida sem volta, ou um retorno ainda mais penoso.
Como a doença não escolhe idade, há que se observar os mais jovens. Se você se julga incapaz de enfrentar a situação, procure ajuda. Leia a respeito, procure conhecer um submundo que lhe possa ser desconhecido mas que terá, obrigatoriamente, de lhe ser desvendado, para o bem do viciado e de toda a família. O normal é que todos enxerguemos o vício como algo fora do nosso meio, impossível de acontecer. Mas, tudo é possível, mesmo para quem não esteja acometido de depressão.
Ocorre em pessoas que inicialmente estão sadias, felizes e por esses canais se tornam tristes, ou ocorrer o contrário, tentar sair da tristeza através deles. A compreensão familiar, a colaboração do paciente, são fatores preponderantes para condução à cura. Se você não é capaz, recorra às associações especializadas, mas o importante é não cruzar os braços. Ao primeiro sintoma, real ou pressuposto, todos os meios de combates serão válidos, antes que a dependência tome conta da pessoa.
A pena, a compaixão pelo paciente, não podem contribuir para alimentar os vícios adquiridos antes, durante ou na continuidade da depressão. O problema já é grande por si só, agora imagine-o acompanhado. São muitas perguntas para uma só resposta. O mal não pode ser alimentado; tem que ser cortado, nem que seja a duras penas. O que adiantará a tentativa da procura de novos caminhos para uma pessoa viciada? Será o fracasso na certa, pois o cérebro, o físico, não correspondem.
Sob os aspectos das fugas até agora abordados, não posso deixar de citar as pessoas que tentam se matar para chamar a atenção para si. Afinal, ela não é mais o epicentro das atenções e agora quer readquiri-la a qualquer preço. Sob seu ponto de vista é uma fracassada, ninguém se interessa por ela, é uma pessoa inútil, só causa problemas, até nas pequenas coisas, para que viver? Só, em meio a essa turbulência, sem apoio dos que rodeiam, o que se pode esperar? Em si só, é uma bomba em potencial. Sua mente não digere os aconselhamentos de acordo com o esperado e sem eles, tudo tende a piorar. Pessoas nesse nível de depressão, são opacos, onde nada é realmente nada. A ajuda leiga, as associações, os psicoterapeutas, têm que ser acionados nesse ponto de discintonia. O paciente por si só não terá condições de se auto-analisar e discernir, se fica ou se vai esta para outra. Nesse estado ele deve ser observado, mas não sentir-se vigiado, o que será pior. Deve ser aconselhado, alertado de que tudo há de voltar ao normal e que a esperança é a última que morre. O depressivo, o viciado, deve se sentir útil para a família e caso venha a faltar, será pior para os que ficam.
Mesmo doente, ainda lhe resta a esperança de ser feliz. Também deve sentir-se responsável pelo seu bem-estar e que a sua existência não diz respeito só a ela mesma. Afinal, ela deve satisfação para as outras. Deve valorizar a vivência da vida, deixando de procurar os caminhos das fugas e da morte, pois ela se constitui no clube mais aberto do mundo. Se até os animais irracionais têm o sentido da autopreservação, porque o ser humano, racional, não vai tê-lo? Essa chamada à realidade é imprescindível para o depressivo. Não cabe a ele alterar o curso normal da existência, ela tem que se deslanchar e acabar como foi concebida, naturalmente. Não podemos utilizar meios e fins não condizentes ao que a natureza nos premiou. Por mais caótica que seja a situação, caminhos hão de existir, sem vícios, sem a desvalorização do que é mais caro à natureza, a vida.
Mais uma vez, lembro que o fato mais certo dela é a morte. Não há a necessidade de apressá-la. No momento certo ela chegará. Se mesmo para aqueles que se agarram à vida com obsessão ela visita, agora imagine a quem passe a procurá-la? O inevitável pode acontecer e sem condição de retorno, valeu tentar? O resultado, seja qual for, não será bom, muito pelo contrário . Preste atenção à sua volta. Uma razão há de existir, ou muitas, para que os outros se sintam felizes e não é privilégio de uns poucos. Por que você também não pode sê-lo? Ao procurar, você há de se alegrar com detalhes ínfimos, pois a felicidade está dentro de você. Ao procurar, não o estará fazendo em vão.
Mentalize que VALE A PENA VIVER, ainda que possa parecer um chavão. O valer a pena, pode não parecer possível nesse período cinzento pelo qual está passando, mas depois você irá ver e sentir que sim, valeu muito.
Marcas indeléveis poderão tê-lo marcado, mas serão como cicatrizes de guerra. E mesmo que não sejam perceptíveis, ostente-as com orgulho, pois você as tem com o devido parabéns pelas batalhas que enfrentou e venceu. Você se superou, foi mais forte do que a sua passageira companheira de tristeza, e quem sabe, não estará mais feliz que antes.
Para os iniciados no espiritualismo, ou não, muitas respostas poderão ser encontradas nos livros: Memórias de Um Suicida de Ivone Pereira e Depois da Morte de León Denis.
Leia-os: compare-os com a sua situação e verá que não foi um tempo perdido. Terá um melhor entendimento sobre o assunto.